GRUPO DE AUTO-AJUDA  www.APOIAR.org.br 

 Ansiedade e Pânico ▪ Organização de Informação e Apoio a Recuperação

Fobia Social - fatos importantes
A pior prisão do mundo: Nossas emoções
Pensamentos catastróficos
Para evitar recaídas...
Tratamentos: Ansiedade – Medo – Depressão
A mente em primeiro lugar
Meditar é viver! Mais e melhor
Relação entre stress e depressão
Entrevista com Lider Pesquisador em Ansiedade. Dr. Jonathan Davidson
Antidepressivos podem levar ao suicídio, diz estudo
Exercício mal-feito tem efeito contrário
A Química na Terapia Psicológica – Sim ou Não?
Além do alcance da superfície dos olhos
Neurose de Angustia, do Medo ou Síndrome do Pânico
Como identificar e tratar a depressão
Dicas para quem sofre de transtorno bipolar
Preocupação: onde ela pode me levar?
A realidade da depressão pós-parto
Cuidando do corpo e da mente
A Depressão Bipolar e seu ciclo rápido: as últimas estratégias farmacológicas
Transtorno Obsessivo Compulsivo
Meditação - uma visão científica - expandindo horizontes
Tornando problemas do dia-a-dia em doenças
Dupla desassistência
Preocupado sempre?
Sistema de acreditar - tudo que você acredita se torna realidade
Mente e doença
Sua recuperação em 12 sessões
Serzone pode causar problemas de fígado
Mulheres e antidepressivos IRS, no mundo real
Ginseng - estudos não comprovam que tenha efeitos psicossomáticos benéficos
Terapia cognitivo comportamental? Medicamentos? Os dois?  
Exercícios no tratamento da ansiedade
Depressão - dificuldades no tratamento
Nova lei visando proteger portadores de ansiedade
DMS-IV - Questionário 
Antidepressivos podem interferir com outras drogas?
DHA – para depressão
Pânico e problemas no coração
Perguntas mais interessantes a respeito da SÍNDROME DO PÂNICO
Conheça o inimigo - (SERÁ QUE É VOCÊ ?)
 


Fobia Social - fatos importantes

A Fobia Social é o terceiro maior problema da saúde mental no mundo.
O último estudo de epidemiologia mostra que mais ou menos 7% da população sofrem de FS em algum tempo de sua vida. A chance de desenvolver fobia social em qualquer tempo da vida é de 13%.

Definição:
Ansiedade social é o medo de situações que envolvem interação social com outras pessoas, ou melhor dizendo, é o medo e a ansiedade de ser julgado ou avaliado por outras pessoas. Se uma pessoa se sente ansiosa em situações sociais, mas entre outras pessoas ela parece estar bem, ela pode ter fobia social. (Procure um médico da saúde mental para um diagnóstico correto)

Percepção: As pessoas com fobia social são vistas por outras como sendo tímidas, quietas, fechadas, inibidas, não amigáveis, nervosas, desinteressantes. O fóbico social gostaria de ter uma vida normal, eles querem fazer amigos e participar de eventos sociais, no entanto, devido à ansiedade social são impedidos de fazer coisas que gostariam.

Gatilhos (situações que causam ansiedade) – As pessoas com fobia social geralmente experimentam estresse nas seguintes situações sociais:
Ser apresentado a outras pessoas
Ser alvo de brincadeiras ou críticas
Ser o centro da atenção
Situações sociais onde a pessoa tem de ficar muito autoconsciente
Ser olhado ou observado enquanto faz alguma coisa
Ter de falar em público
Ao encontrar pessoas importantes.
Não saber o que dizer em situações sociais
Ficar embaraçado, ficar vermelho.
Olhar nos olhos de outras pessoas
Engolir, escrever, falar, fazer uma chamada telefônica em público.

Esta não é uma lista completa de sintomas – outros sintomas podem ser associados à fobia social.

Sintomas Emocionais:
Os sentimentos que acompanham a ansiedade social incluem: ansiedade, medo intenso, nervosismo, ciclos negativos de pensamentos, ficar vermelho, suor excessivo, boca seca, tremuras e espasmos musculares.
Ansiedade constante é o fator mais presente, em geral.

Insight:
As pessoas com fobia social sabem que sua ansiedade é irracional e que não faz sentido. No entanto, pensamentos e sentimentos persistem e não vão embora sem um tratamento apropriado.

Terapia:
Cognitivo comportamental tem se mostrado a mais efetiva para pessoas com FS.
De acordo com estudos realizados pelo National Institute of Mental Health, a taxa de sucesso para quem é tratado com TCC – Terapia Cognitivo e Comportamental é muito alta; as duas são essenciais para aliviar os sintomas da ansiedade social.

Medicamentos:
Medicamento é muito útil para pessoas com ansiedade social, e psicólogos são aconselhados a trabalhar junto com psiquiatras se acharem necessário e for possível. Para casos de Ansiedade social generalizada, estudos indicam que o uso de drogas ansioliticas e certos antidepressivos em conjunto com TCC são as mais eficientes. Medicamentos sem TCC têm sido provados, só funcionam temporariamente.

Perspectivas:
As perspectivas para recuperação são muito boas se as pessoas fizerem o tratamento em conjunto diz o NIMH em estudos feitos em longo prazo, onde foi mostrado que mesmo quando parado o medicamento a pessoa continua bem.

Diagnostico Diferencial e cormobidade:
A Fobia social é uma das cinco desordens incluídas na lista do DMS – IV

A Fobia social é muitas vezes misturada com distúrbio do pânico. As pessoas com ansiedade social não têm ataques de pânico, onde o principal medo é de ter um problema médico (ex. ataque do coração), elas percebem que é a ansiedade e o medo que estão sentindo. Eles podem dizer: Foi horrível! Mas não dizem ter medo de morrer ou estar tendo um ataque do coração, dizem que sentiam muita ansiedade. As pessoas com ansiedade social não tendem a ir a hospitais, prontos-socorros depois de um ataque de ansiedade, enquanto as com pânico correm para lá com medo de estarem com algum problema físico.

Altos níveis de alcoolismo e abuso de substancias químicas, dificuldades familiares e falta de relacionamentos sociais, dificuldades em conseguir e manter um emprego são alguns dos problemas experimentados por muitas pessoas com fobia social.

A falta de profissionais com conhecimentos sobre FS e seu tratamento é o maior problema para vencer a fobia social. Ainda que seja conhecido e uma grande quantidade de estudos mostrem que é possível vencer a fobia social, é difícil por causa da falta de opções de tratamento para pessoas com desordens de ansiedade.
Fontes: NIMH, Social Fhobia/Social Anxiety Association, ADAA.

A pior prisão do mundo: Nossas emoções


… O uso contínuo das drogas pode queimar etapas de vida de um jovem, fazendo com que ele envelheça no único lugar onde não é permitido envelhecer, no território da emoção. – Augusto Cury

Comentários sobre o livro de Augusto Cury – O Cárcere das Emoções
Silvana Prado

A pior prisão humana é o cárcere da emoção e normalmente quem aprisiona a emoção são os pensamentos negativos.
… O mundo moderno virou uma fábrica de pessoas estressadas, e mesmo pessoas com uma boa estabilidade emocional durante seu crescimento, podem quando adultas, devido ao estresse profissional e social, desenvolver arquivos doentios nas matrizes de memória, o que poderá levar a crises constantes de pânico, depressão, e outros transtornos mentais.

O pior prisioneiro é o que não consegue enxergar seus próprios limites. O pior doente é aquele que represa suas emoções e tem medo de admitir suas fragilidades, fracassos e momentos de insegurança… Que destino você dá aos seus erros? O que você faz com as dores emocionais que vivencia?... Infelizmente, raramente somos eficientes em dar um destino lúcido às nossas falhas e sofrimentos. Sabemos lidar com os sucessos, mas estamos despreparados para as derrotas.

- Há muitos tipos de “drogas” e não apenas as químicas, que trucidam a liberdade e fazem a emoção se submeter à pior prisão do mundo: a “droga” do medo, do sistema social, da paranóia da estética, do consumismo, da competição predadora, da necessidade de estar sempre certo.
Augusto comentou que raramente uma pessoa que mergulha nas drogas não pensa em suicídio.
Depois de buscar a “liberdade” nas drogas, se torna prisioneiro delas, pois só passa a ter prazer ao usá-la.
Ele também fala em psicoadaptação, que descreve como sendo a incapacidade da pessoa (emoção) humana de sentir prazer ou dor, frente à exposição ao mesmo estímulo.

Hoje, na busca constante pelo prazer externo, caímos no vazio do consumismo, na fuga pelo sexo desenfreado, sempre buscando na nova compra ou parceiro, o preenchimento de um espaço que só pode ser preenchido pelo que não se compra! Aí nos comparamos aos que usam drogas, viciados em comportamentos que nos satisfazem instantaneamente e com a mesma rapidez com que nos satisfazemos caímos novamente no vazio, e vamos novamente à busca de nossa “droga”.
“Quanto mais uma pessoa tiver dificuldade em extrair prazer daquilo que possui, mais infeliz e angustiada será…” diz o autor.

O fenômeno da psicoadaptação contribui para gerar o tédio, a rotina, a mesmice e solidão o que, num ciclo vicioso, o leva a buscar mais coisas para estimular os sentidos e conseguir o prazer instantâneo:- o carro, a roupa, o novo modelo do celular.

A psicoadaptação também terá outra conseqüência séria para o usuário de drogas, não compreendida pela maioria dos psiquiatras e psicólogos: à medida que o usuário se submete ao intenso efeito da droga, vai se adaptando a elas e só consegue se excitar frente a um estímulo potente. Como poucas coisas do dia-a-dia estimulam como a droga, o usuário acaba perdendo o prazer produzido pelas pequenas coisas, que são as conquistas verdadeiras.
Quando iniciam o uso, sentem-se imortais, zombam dos caretas do mundo, mas ao acordar descobrem que perderam o mais nobre dos direitos humanos - a liberdade. O uso da droga é um desrespeito à própria inteligência.

Porque o problema de drogas é tão difícil de ser tratado?
Porque ele não está na droga enquanto substância química, diz Cury, mas no rombo que elas produzem no inconsciente. Na memória anônima arquivada na mente. Infelizmente não podemos escolher o que será gravado na memória: ela grava tudo! A intensidade desta gravação varia: as mais dolorosas e prazerosas são registradas mais intensamente.
“… Toda vez que temos uma experiência com alto comprometimento emocional… O registro será privilegiado. Por ser privilegiado, tal registro pavimentará as avenidas importantes da nossa maneira de ser e agir do mundo”, diz Cury.

As pessoas dependentes de drogas envelhecem no único lugar onde é inadmissível envelhecer - o território da emoção. Muitas delas possuem uma quantidade enorme de experiências emocionais, mais do que as pessoas bem mais velhas. Estão saturadas de ansiedade, humor deprimido, desespero, situações de risco. Elas acabam produzindo um filme de terror dentro de si mesmas e, para a recuperação não basta afastar-se das drogas, é preciso reaprender a viver, a apagar as lembranças negativas para que as boas possam fluir novamente.

No trabalho que estamos realizando na AMAFEM, pudemos notar muito do que Cury escreve.
Pelo que sei a única coisa realmente capaz de “apagar” arquivos negativos é a meditação. Os 12 anos de prática constante ensinaram-me não só que a meditação traz aceitação: quando não existe mais medo nem luta contra a memória ou emoção, você a domina e se liberta dela - a lembrança não precisa mais ser constantemente repetida na memória. Ela pode ser substituída por outras lindas que causam cura da mente e em conseqüência do corpo.

Na última reunião que fizemos fomos trabalhar na meditação “Meu pior momento”. O trabalho foi desenvolvido com base em um seminário de Jack Kornfield, um dos maiores mestres de meditação nos Estados Unidos: Em “A Path With a Hearth” (Um caminho com o coração) ele conta a experiência de um soldado na guerra e como este soldado através da meditação se libertou de seus anos de pesadelos.
As histórias das meninas são certamente as mais tristes que já ouvi em 5 anos de grupo APOIAR. Nunca tive contato com tanta dor, como naquela hora de narração. Histórias que parecem acontecer só em filmes, tornaram-se realidade na frente de nossa equipe de voluntários.

Enquanto os fantasmas estiverem presos nas nossas mentes, seremos perseguidos, amedrontados, escravizados pelas memórias. Quando os soltamos, eles, no primeiro momento, se tornam mais barulhentos, para depois irem desaparecendo como sombras que se vão com a chegada da luz.
Como uma das meninas disse:- “Um dia percebi que cheguei ao porão do fundo do poço”. Eu não sabia que fundo de poço tem porão, mas ela descobriu, e os nossos fantasmas normais, se tornam pequenos frente aos fantasmas do porão delas.

Estamos realizando um trabalho novo, é certo, não sei se no Brasil existem estudos sobre efeitos de meditação na recuperação de drogas, mas como acredito que tudo que é feito com amor frutifica, a esperança brilha nos nossos corações, na certeza de que onde haja vontade existirá mudança, onde houver luz a escuridão será eliminada.


 

Pensamentos catastróficos

Pensamentos catastróficos seriam aqueles carregados de imagens negativas e aterrorizantes envolvendo nós mesmos ou outras pessoas. Neles algumas vezes somos apenas figurantes de uma cena, e em outros momentos somos os protagonistas, sendo que atuamos muitas vezes de forma contrária à nossa própria vontade. São imagens que retratam situações com um teor do que costumamos chamar de fatalidades e cujos ingredientes centrais são o perigo, o risco, a ameaça, que por sua vez geram alta ansiedade, muito medo, além de auto-acusações, auto-recriminações e auto-depreciações.

Tais pensamentos surgem sem que conscientemente nós o invoquemos. Muitas vezes eles acontecem enquanto estamos fazendo algo concretamente e de repente nos vemos vivenciando, através da imaginação, outra coisa muito diferente. Por exemplo: ao estar realizando seu trabalho, ou dirigindo seu carro, ou estando no ônibus, ou no metrô, ou a caminho do supermercado, da sua universidade, da sua casa, ou, simplesmente, divertindo-se num barzinho, o indivíduo começa a vivenciar situações catastróficas que poderiam acontecer com ele naquele momento. São pensamentos fantasiosos que invadem sua mente sem pedir licença, ou seja, momentaneamente o imaginário toma conta da consciência, muitas vezes levando o indivíduo a se questionar... será que estou ficando maluco por pensar tais coisas? O que será que está acontecendo comigo? Por que vivo dois momentos diferentes na minha mente? Por que surgem esses pensamentos tão angustiantes?

Evidentemente não se trata de loucura e nem tampouco tais pensamentos estão restritos às pessoas que têm o Transtorno do Pânico. Também faz parte da atividade mental humana considerada normal, imaginar, fantasiar, enfim, ter pensamentos de cenas e objetos não limitados ao mundo físico. Entretanto, o que marca uma diferença é o efeito qualitativo que o imaginário exerce sobre as pessoas interferindo em seu agir, na vida como um todo.

Vejamos dentro de uma visão psicanalítica como poderíamos explicar tais eventos. A Psicanálise, como ciência, relaciona-se num primeiro plano com a consciência, e a seguir, ela trata dos produtos que chamamos psique inconsciente. Essa dimensão inconsciente da psique humana não pode ser diretamente explorada por estar a um nível menos evidente, ao qual não temos acesso de imediato, mas cujo material ali reprimido também é nossa vida e nos constitui tanto quanto as percepções conscientes. E é justamente no campo do inconsciente que podemos explicar as imagens representativas e simbólicas dos pensamentos catastróficos.

Podemos dizer que vivemos entre dois mundos de percepções diferentes: o de fora, percebido mais diretamente e o e de dentro, percebido através das imagens e sensações cujas representações reprimimos ou não. O inconsciente não é algo estático, ele é ativo e participa de nossas ações, muitas vezes, lado a lado com a consciência, chegando mesmo, em muitas ocasiões, a se fazer mais pregnante que o consciente, como por exemplo, no caso dos pensamentos catastróficos, quando somos pegos de surpresa por tais idéias que parecem nada ter a ver com o nosso momento presente.

Muitas coisas passam por nossa percepção durante nosso estado de alerta. Nossas sensações no momento que estão sob o regime da consciência, nos proporcionam segurança, nos sentimos apoiados, certos de que estamos aqui, firmes, senhores de nós mesmos.

Quando acontecem eventos, regidos pelo "funcionar" inconsciente como, por exemplo, esses pensamentos catastróficos, ficamos inseguros e indefesos em relação à nós mesmos e à nossa realidade...e o que é isso? de onde vêm essas sensações? essas vivências? esses pensamentos? Eu diria que é justamente quando o inconsciente age, emerge, quando ele se faz presente, elaborando fantasias tão ricas em símbolos e imagens, plenos de significados que acabam nos envolvendo, possuindo a nossa psique consciente, submetendo a nossa atenção por um lapso de tempo.

Sendo assim, os pensamentos catastróficos nada mais são que produtos da função imaginativa do inconsciente. Se um indivíduo está vivenciando uma onda de caos interno os pensamentos seriam como um auto-retrato do que está acontecendo no espaço interno da psique, sem disfarces. É quando a energia psíquica faz-se imagem, ou melhor, transforma-se em imagens que representam conteúdos do inconsciente pessoal, emoções e experiências vivenciadas pelo indivíduo, mas que foram reprimidos e agora buscam um meio de expressão.

A princípio os pensamentos catastróficos parecem não fazer nenhum sentido de imediato, mas afetam nossas atitudes. E se formos cuidadosos e atentos com relação a nós mesmos, descobriremos muito do significado desses momentos..

Zulima Tozzi (KRIKKA)
Psicóloga Clínica - CRP 13-2896
e-mail: tozzi@zaitek.com.br

Para evitar recaídas...

Tive a oportunidade de fazer uma palestra no CAPSad – Centro de Atenção Psico-Social – Álcool e outras drogas, e agradeço a equipe que me convidou foi para mim uma honra.

Fiz uma lista de coisas que achei importantes para o pessoal que estava tendo “alta”, e achei interessante que a maioria delas é usada também nos tratamentos aqui no Apoiar, ou seja, ficar bem de qualquer doença é na essência, assumir o que somos, nos respeitar e estar disposto (a) a fazer mudanças.

Tive a oportunidade de ter em minha casa uma pessoa que estava tentando largar as drogas, e um dia ela me disse: Eu nunca vou conseguir largar a droga, quando não estou drogada sinto uma dor tão grande, uma infelicidade tão grande dentro de mim, que só consigo sentir bem quando estou drogada. Na época eu não sabia que, 60% dos jovens que usam drogas, apresentam um problema mental. Provavelmente esta pessoa tinha depressão e isto nunca foi tratado, pois ela parecia ser só usuária de drogas. Hoje existe uma consciência muito maior de que usa drogas precisa ser ajudado também com problemas como depressão, ansiedade, fobias, etc. Aproveitando o assunto, estamos publicando um artigo muito interessante sobre IDÉIAS ERRADAS SOBRE ALCOOLISMO. Que segue a linha deste pequeno texto.

Divido com você alguns itens:
PROCURE SE LEMBRAR:
- Fique atento aos primeiros sinais de recaída, e procure ajuda assim que os perceber.
- Não culpe ninguém pelos seus erros, afinal você sempre tem escolhas.
- Se você tiver uma recaída, assuma a responsabilidade por ela, levanta, sacode a poeira, e dá a volta por cima.
- Recomece o programa logo, quanto mais tempo ficar caído, mais difícil será se levantar.
- Não dê uma de vitima, vitimas não tem escolhas, você sempre tem.
- Não use substâncias com cafeína elas vão aumentar sua ansiedade e depressão: retire coca-cola, guaraná, café, chocolate de sua dieta. Isto tornará sua recuperação menos estressante.
- Cuide de sua alimentação, uma pessoa com boa saúde mental, sabe que o alimento irá influenciar em seu humor, e nunca tome decisões ou discuta com alguém de estômago vazio.
- Faça exercícios regularmente, 1 hora todos os dias é o ideal para quem está se recuperando de qualquer problema, ajuda a liberar substâncias que causam bem estar, é de graça e ajuda no tratamento da ansiedade e depressão.
- Aprenda a respire corretamente, a respiração é o oxigênio do corpo e da alma.
- Tire pelo menos 20 minutos por dia para meditar, orar é falar com Deus, meditar é ouvir Deus.
- Aprenda algo novo sempre que puder, aprender não ocupa espaço e te torna uma pessoa melhor.
- Faça algum trabalho voluntário, ajudar os outros é se ajudar.
- Peça a sua família para ajudá-lo, participando de alguma reunião do Amor-Exigente, Al-Anon ou do grupo de apoio a familiares do Apoiar. Estes programas ajudam os familiares a terem equilíbrio e saberem de maneira correta de ajudá-lo nos momentos de dificuldades.
- Se você tem o hábito de manipular as pessoas – fazer com que fiquem com dó de você, etc – abra mão deste recurso, procure ser verdadeiro.
- Não volte a andar com a turma antiga, e não se iluda se você voltar é porque está buscando desculpas para ter uma recaída.
- Se você está apaixonado(a) e a pessoa que gosta ainda está envolvido(a) com drogas, não vá tentar salvar esta pessoa, é um engano pois você ainda não se salvou, o mais provável é que se perca na tentativa.
- Tire a palavra culpa de seu vocabulário, ela cria um sentimento de impotência, use a palavra RESPONSABILIDADE. Você é responsável por tudo que fez ou irá fazer, isto dá um sentimento de poder para a pessoa.
- PROCURE DEUS, COM DEUS TUDO É POSSÍVEL.
- E lembre-se você é filho de Deus, possui já a essência do Pai dentro de si, nasceu para ser feliz e saudável, não deixe ninguém lhe convencer que é impossível ser feliz. A escolha é sua.

Paz para você.
Silvana Prado e grupo Apoiar

Tratamentos: Ansiedade – Medo – Depressão

Jack D. Maser, PH.D. – National Institute Of Mental Health
Tradução Silvana Prado

Medo e ansiedade são partes normais da vida, na verdade ela nos ajuda a adaptar a muitas condições. Quem entre nós não sentiu ansiedade quando estudando para uma prova e, por causa da ansiedade tirou notas melhores? Quem não andou por uma rua perigosa e escura sem sentir o medo? Ansiedade normal nos mantém alerta: faz com que questionemos se realmente queremos andar por aquela rua escura.

Profissionais da saúde mental se preocupam com as pessoas quando elas começam a apresentar medos e ansiedade anormais que, inexplicavelmente, atingem níveis devastadores e dramaticamente reduzem ou eliminam a produtividade em suas vidas interferindo com a qualidade de vida do individuo, atingindo seu relacionamento sem que haja uma explicação óbvia para a ansiedade?

Freqüentemente estas desordens se tornam mais difíceis e complicadas de serem tratadas, se acompanhadas de depressão, abuso de substâncias químicas e pensamentos de suicídio. A definição completa de cada subtipo pode ser encontrada no The Diagnostic and Statistical Manual Of Mental Disordes, descrevemos de maneira breve cada uma delas, no entanto este material é informativo e somente um psicólogo ou outro profissional da saúde poderá fazer um diagnóstico correto.

1. TRANSTORNO DO PÂNICO
Em 10/20 minutos um medo que aumenta se desenvolve num período de desconforto intenso acompanhado de pelo menos 4 dos 13 sintomas físicos ou cognitivos. O individuo afetado acredita que está tendo um ataque do coração ou morrendo e, com freqüência, apresenta-se a um hospital achando que está numa situação grave.

2. TRANSTORNO DO PÂNICO COM AGORAFOBIA
Freqüentemente Ataques do Pânico se tornam associados a lugares em que eles ocorreram. Quando a pessoa tenta evitar estes lugares, com medo de engatilhar o ataque ou de não ter ajuda disponível ou não pode escapar, ela desenvolve agorafobia o que tira dela a liberdade de movimentar-se e a vida pode se tornar severamente restrita.

3. TRANSTORNO DO PÂNICO SEM AGORAFOBIA
Os ataques de pânico acontecem mas sem restrições da liberdade.

4. AGORAFOBIA SEM HISTÓRIA DE TRANSTORNO DO PÂNICO
Pessoas com sintomas limitados de ataques pânico ou outro(s) sintoma(s) que a podem incapacitar ou embaraçar (exemplo incontinência urinária) podem passar a evitar diversas situações. Situações comuns de agorafobia: estar na multidão atravessar pontes ou sair de casa sozinho. Se a pessoa se obriga a sair é com muito medo.

5. FOBIA ESPECÍFICA
Medo excessivo ao ser exposto a uma situação ou objeto (mas não a um ataque de pânico ou sentir-se embaraçado de participar de situações sociais) é a marca da fobia específica. Quando confrontado com estes objetos ou eventos como elevadores, funerais, chuvas com trovões, insetos ou animais com pêlos, indivíduos com fobias se tornam extremamente medrosos. Também pode envolver medo de perder o controle, pânico e desmaio quando confrontado com o objeto temido. Adolescentes e adultos reconhecem o medo como irracional, mas pouco podem fazer para pará-lo. Geralmente o indivíduo pode levar uma vida relativamente normal simplesmente evitando, e o diagnóstico nunca é feito.

6. FOBIA SOCIAL
O indivíduo tem um medo persistente de se expor a observação de outros. Eles temem que farão alguma coisa ou agirão de uma maneira que os humilhará ou embaraçará. Ainda que seja normal ter alguma ansiedade antes de um encontro com o chefe ou antes de falar em público, a maioria das pessoas não fica incapacitada de passar pela prova. Este diagnóstico só é feito se a evitação interfere com o funcionamento do trabalho ou impedir de ela estar em situações sociais ou se a pessoa fica altamente estressada sobre o problema.

7. TRANSTORNO OBSESIVO COMPULSIVO
Repetidos, estressantes obsessões (pensamentos) ou compulsões (rituais) podem significantemente interferir com o trabalho, casamento e vida social. A pessoa geralmente reconhece o comportamento não razoável, e este fato se adiciona ao estresse. No entanto, resistir a obsessão ou compulsão quer dizer que a ansiedade irá escalar rapidamente para níveis intoleráveis. É mais fácil se deixar vencer pelos pensamentos intrusos ou executar o comportamento.

8. TRANSTORNO DE ESTRESSE PÓS-TRAUMÁTICO (tspt)
Esta condição clínica pode ser traçada como um evento traumático na vida do indivíduo. Pode ter sido causada depois de uma morte, tiroteio, depois de um estupro ou desastre. A experiência tem de ter causado intenso medo, impotência ou horror. Rapidamente depois do evento ou algum tempo após, a pessoa experimenta flashbacks, repetida lembrança do evento, sentimentos de desligamento do corpo, culpa problemas para dormir e uma variedade de outros sintomas somáticos.

9. TRANSTORNO DE ESTRESSE AGUDO
Sintomas similar ao TSPT que se desenvolve dentro de um mês depois da exposição a um evento muito estressante e fica limitado ao período de 2 dias e 4 semanas, é o que define esta desordem. Enquanto vivencia o evento traumático ou logo após, o indivíduo tem pelo menos três dos seguintes sintomas dissociativos: um sentimento subjetivo de anestesia, distanciamento ou ausência de resposta emocional; redução da consciência sobre aquilo que o cerca; desrealização; despersonalização ou amnésia dissociativa.

10. TRANSTORNO DE ANSIEDADE GENERALIZADA (TAG)
O indivíduo apresenta ansiedade excessiva e incontrolável e preocupação, por pelo menos seis meses. Ele se sente constantemente na “beira do abismo” e cansado, reclama de tensão muscular, irritabilidade e incapacidade de concentração, e o sono é interrompido.

11. ANSIEDADE INDUZIDA POR SUBSTÂNCIAS QUÍMICA
A apresentação clínica desta condição pode lembrar pânico, GAD, fobia, ou CO. no entanto, é essencial que os sintomas de ansiedade sejam diretamente relacionadas a efeitos físicos de abuso de droga, medicação ou exposição a toxinas.

12. TRANSTORNO DE ANSIEDADE NÃO ESPECÍFICA
Um grande número de pessoas pode encaixar nesta categoria. Estudos encontraram um número de pessoas com ansiedade e depressão misturados (não atingindo o diagnóstico para nenhum deles).

13. DEPRESSÃO
A depressão é uma doença “do corpo como um todo”, que compromete seu corpo, humor e pensamento. Ela afeta a forma como você se alimenta e dorme, como se sente em relação a si próprio e como pensa sobre as coisas. Uma doença depressiva não é um “baixo astral” passageiro. Também não é sinal de fraqueza ou uma condição que possa ser superada pela vontade ou com esforço. As pessoas com doença depressiva não podem simplesmente recompor-se e melhorar por conta própria. Sem tratamento, os sintomas podem durar semanas, meses ou anos. O tratamento adequado, entretanto, pode ajudar a maioria das pessoas que sofrem de depressão.

O que é impressionante é como muitas vezes uma ou mais destas ansiedades ocorrem junto com outra, como depressão e abuso de drogas. Aproximadamente 60% dos pacientes diagnosticados com TOC são mais tarde diagnosticados com depressão. Ataques de pânico são também encontrados em pacientes com esquizofrenia, ainda que não diagnosticado pelos clínicos.

É importante que os clínicos e pacientes reconheçam que tratamentos efetivos estão disponíveis. Fobias podem ser tratadas com métodos comportamentais, enquanto pânico pode ser tratado com medicação, terapia cognitiva comportamental ou os dois.

Comportamento obsessivo e estresse pós-traumático são mais difíceis de tratar mas os sintomas podem ser consideravelmente diminuídos se não eliminados. Quando a desordem de ansiedade é tratada efetivamente, o abuso de drogas e depressão secundária tendem a declinar.
NÃO ESQUEÇA EXISTE TRATAMENTO

Opções de tratamento
Estudos indicam que os tratamentos de maior sucesso para ansiedade são: terapias cognitivo comportamental, exposição (dessensibilização) e o medicamento. Escolha o que você acha que melhor funcionará para você.

Tele APOIAR
Maiores informações: (16) 3725-9063 e 3026-8798

Reuniões semanais:
segunda-feira 14h00
terça-feira 19h30

A mente em primeiro lugar

Tradução e comentários: Silvana Prado

Biologia da esperança e o poder do ser humano.

Norman Cousins é autor do livro "Anatomia de Uma Doença", pioneiro por seus estudos sobre os efeitos da mente no processo de cura de uma doença que o atacou e os médicos diziam incurável, dando-lhe pouco tempo de vida. Norman desafiou a medicina e aplicou em si mesmo, com a ajuda de seu médico, um tratamento que o levou à recuperação completa.

Neste segundo livro, Head First, ele aprofunda nos estudos sobre a influência da mente no corpo, após ser convidado a dar aula em uma famosa universidade americana, mesmo não sendo médico.

O que deu início a este convite feito pela Universidade a Cousin, foi um projeto que envolvia trazer dezenas de jovens japonesas, que ficaram desfiguradas pelo bombardeio de Hiroshima, para serem operadas. Os experts disseram que o projeto era impossível de ser realizado, pois as jovens não conseguiriam fazer os ajustes drásticos, culturais e sociais que exigiriam para que se submetessem as cirurgias e recuperação. Havia ainda o problema da linguagem, comida, além de terem de ficar quase todo o tempo em hospitais.

Graças a um general que discordou dos experts as jovens foram para os EUA, e ficaram 2 anos lá; não houve uma só jovem que não se ajustou. O que os experts não entenderam, é maneira que o espírito humano pode vencer evidências estatísticas quando existe profunda determinação e a antecipação de uma experiência amorosa.

Assim que entrou na Escola de Medicina para pesquisar, foi feita um estudo com os residentes da área, onde havia 2 perguntas: 1 – Você trocou de médico nos últimos cinco anos ou está pensando em trocar agora? 2 – Se você trocou de médico ou está pensando em trocar, qual a razão principal?

Para surpresa, 85% dos que responderam trocaram de médico ou estavam trocando. A razão também surpreendente é que os pacientes não trocaram o médico por falta de competência destes, mas pela maneira do médico tratá-los ou devido ao ambiente do consultório. Os pacientes tinham queixas com a falta de sensibilidade para suas necessidades ou a pouca (ruim) comunicação entre eles e seu médico.

Algumas reclamações:

• Saí do médico sentindo-me pior do que quando entrei....ele...

A grande mensagem do livro é que a mente influi no corpo e no tratamento. O médico é um dos fatores que ajuda nesta crença ou no desenvolvimento da esperança que auxilia o corpo voltar a lutar. Um médico frio e distante passará ao paciente nada, mas desespero....

Muitos médicos que são amigos do Apoiar comentam que estão sentindo o vazio que a medicina tradicional tem trazido as suas vidas. Percebem-se lutando contra o resultado da doença, então o paciente está sempre voltando ao consultório, pois as causas não são resolvidas. Muitos iniciaram cursos de acupuntura, homeopatia, Medicina Ayurvédica, na busca do real dom de curar prometido nas faculdades.

Os processos contra falhas médicas, negligência, imperícia tem aumentado. Com medo, os médicos pedem tudo quanto é exame para garantir que não haverá erro, o que aumenta tremendamente os custos para o sistema de saúde, mas na verdade uma das coisas que deveriam ser feitas é dar ao médico tempo para olhar e fazer um diagnóstico como os médicos antigos faziam, enquanto isto, as doenças aumentarão, os custos com saúde...


 

Meditar é viver! Mais e melhor

19/08/2005

SAÚDE – BEM-ESTAR – MEDITAÇÃO – QUALIDADE DE VIDA – PREVENÇÃO DE DOENÇAS – TRATAMENTO –

Por Débora Didonê,

Nem pense em virar a página achando que já ouviu falar de todos os benefícios da meditação para a saúde.Vamos mostrar as últimas (e surpreendentes) pesquisas sobre o assunto, publicadas em uma das principais revistas científicas do planeta, e ensinar uma técnica tão simples que até quem nunca meditou vai conseguir

Os números impressionam. Comparada com os efeitos produzidos apenas por medicamentos, a meditação transcendental diminuiu em 49% as mortes por câncer, em 30% as decorrentes de problemas cardiovasculares e em 23% as provocadas por doenças em geral. O estudo, publicado no prestigiadíssimo periódico American Journal of Cardiology, durou nada menos do que 18 anos e foi feito com 202 homens e mulheres idosas e hipertensos que se dedicaram a essa prática sistematicamente. Duas vezes todo santo dia, durante 20 minutos — nada, além disso.

Note que o estudo se refere à meditação transcendental, uma entre as cerca de seis mil técnicas meditativas existentes no mundo. Não que as demais não sejam eficazes. São — e isso já está mais do que comprovado. “Todas causam um estado de relaxamento psicofísico”, explica Roberto Cardoso, professor do Curso de Especialização em Medicina Comportamental da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). O que diferencia a transcendental das demais é, além da simplicidade, a rapidez de seus efeitos. “Ela age de forma surpreendente desde os minutos iniciais, permitindo que o corpo descanse duas vezes mais do que durante o sono”, afirma Robert Schneider, diretor do Centro de Prevenção e Medicina Natural da Universidade Maharishi, em Iowa, nos Estados Unidos, e um dos principais autores da pesquisa. Relativamente nova, foi criada há cerca de 40 anos por Maharishi Mahesh Yogi, que se tornou famoso depois de virar o guru dos Beatles.

Diferentemente de outras técnicas, a meditação transcendental não tem cunho religioso nem requer rituais ou a repetição de complicadas palavras em sânscrito, língua indiana predominante em religiões como o budismo e o hinduísmo. Basta se sentar — e não precisa ser na clássica posição de lótus — e meditar, sem a necessidade de total isolamento. No chão ou numa cadeira, num sítio bucólico ou numa movimentadíssima avenida, não importa. O resultado é o mesmo, desde que, é claro, você se mantenha numa posição que não force os ossos nem os músculos (veja na página seguinte). Segundo especialistas, o corpo e a mente entram num estado de relaxamento profundo que ajuda a eliminar o estresse. “Ao permitir ao corpo esse descanso, a inteligência interna desperta e restaura o que estiver em desequilíbrio”, explica Schneider.

Traduzindo em miúdos, a meditação faz aumentar as ondas alfa no cérebro, relacionadas ao relaxamento. Nesse estado, cai o consumo de oxigênio, desaceleram-se os batimentos cardíacos e o metabolismo inteiro diminui. Em outras palavras, o organismo gasta menos energia para funcionar. “Isso representa um tremendo repouso”, diz Cardoso. Sem contar que a prática regular reduz o estado de alerta permanente — aquela mania que a gente tem de estar sempre ligado em tudo — e manda embora a ansiedade. “Depois de dois ou três dias, já dá para sentir maior serenidade interior”, garante Markus Schuler, professor da Sociedade Internacional de Meditação Transcendental, em São Paulo.

Meditar significaria, então, a cura de todos os males? Para o acupunturista Norvan Martino Leite, de São Paulo, esse é um treinamento mental que pode ajudar a debelar muitas doenças. “Não existe técnica milagrosa”, diz ele, que ensina um método meditativo chinês aos seus pacientes. “A prática regular cria condições para resolver os problemas e, assim, melhorar a saúde”, afirma.

Na raiz de grande parte das doenças estaria o estresse, que, como se sabe, dá maus frutos. “Ele aumenta o desequilíbrio de hormônios, como o cortisol, que inflama as artérias. Isso causa hipertensão e pode resultar em derrames e ataques cardíacos”, resume Robert Schneider. A meditação transcendental, utilizada no estudo, confirmou algo que os cientistas já suspeitavam: ela contribui até para evitar o acúmulo de placas gordurosas nas artérias do coração, a temida aterosclerose.

Para a consultora de ambiente hospitalar Célia Cristina Catenaccio, de 50 anos, a prática da meditação foi decisiva para vencer um tumor alojado no cérebro. “Só consegui enfrentar 13 cirurgias seguidas por causa dela. Um dia, depois de uma operação de 12 horas, já me levantei da maca para meditar. Graças a isso, consegui reduzir minha internação em 12 dias. Se não fosse a meditação, eu não teria suportado.”

Ela só faz bem

Há mais de 30 anos a Medicina estuda os benefícios dessa prática milenar, seja para prevenir doenças, seja para tratá-las ou mesmo servir de atalho para a cura. Além de ensinar nosso organismo a gastar menos energia e dar um breque no efeito dominó do estresse, a meditação nos ajuda a raciocinar melhor.

Segundo pesquisadores da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, a prática aumenta a atividade na região frontal do cérebro, responsável pela concentração, abstração e atenção. Outros estudos também comprovaram que a meditação retarda o envelhecimento, melhora a qualidade de vida de portadores de doenças graves e auxilia na redução do consumo de cigarro, álcool e outras drogas.


 

Relação entre stress e depressão

O stress é uma reação que possui componentes físicos, psicológicos, mentais e hormonais que pode se desenvolver frente a situações que representem um desafio para o indivíduo. Devido à ação perfeitamente integrada do stress sobre todo o organismo humano, seus sintomas podem ter uma caracterização somática ou psicológica. Algumas das manifestações físicas do stress são mais conhecidas e reconhecidas como tendo na sua gênese o stress como fator desencadeante, tais como doenças gastrointestinais, cardiovasculares, respiratórias, músculo-esqueléticas, dermatológicas e imunológicas. Porém, menos conhecidas são as conseqüências psicológicas do stress excessivo, tais como ansiedade difusa ou generalizada, insônia, esquizofrenia, episódios maníaco-depressivos e depressão.

Por causa das suas conseqüências, às vezes devastadoras, é muito importante que atenção especial seja dada a este assunto. A depressão é considerada como a condição que mais sofrimento traz ao ser humano. É capaz de destruir a felicidade e a qualidade de vida de qualquer pessoa. Reduz a criatividade e a produtividade do ser humano, tira a vontade de viver e interagir com os outros. Pessoas com depressão vivem a vida pela metade, como se todas as cores e todas as alegrias ao seu redor estivessem cobertas por um filó escuro. O depressivo sabe que as cores estão ali embaixo desta coberta de névoa, porém ele não consegue usufruir de sua beleza. Como a habilidade intelectual é inafetada, a pessoa sofre mais ainda por saber que a alegria está ali disponível e que ele dela não consegue usufruir.

Estima-se que a depressão seja responsável por uma grande parte das 70.000 pessoas que tentam o suicídio anualmente nos EUA. De acordo com as estatísticas do National Institute of Health, cerca de 125.000 pessoas são internadas anualmente com o diagnóstico de depressão. No Brasil, Nardi (2001) estima que haja cerca de 54 milhões de pessoas que um dia experimentarão depressão, sendo que 7,5 milhões terão episódios agudos e graves, até com risco de suicídio. Estima-se que a depressão atinja 15% dos homens e 25% das mulheres, sendo que nas mulheres a depressão é cerca de 50% mais diagnosticada do que os homens.

O número de pessoas com depressão parece estar aumentando, principalmente devido ao stress ocupacional, que também parece estar se maximizando nos dias atuais. Mas a depressão sempre existiu e o primeiro que a descreveu foi o médico e filósofo grego Hipócrates, que a chamou de melancolia e sugeriu que sua causa fosse a bile negra e venosa. No século II, Plutarco lhe atribuiu uma conotação religiosa, dizendo que "ele se olha como um homem que os deuses odeiam e perseguem...".
Em 1952, o primeiro Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais (DSM-I) incluiu o diagnóstico do humor depressivo.

Atualmente, se sabe que a depressão - chamada de "transtorno do humor" - pode ser de origem biológica, o que envolve uma predisposição genética. Ela pode ocorrer em associação a determinadas medicações; estar associada a outras doenças; ter como base práticas parentais inadequadas e cognições distorcidas e também ter em sua etiologia o fator stress como elemento desencadeador.
Pesquisas (Henry & Stephens, 1977) indicam que há uma correlação entre episódios de depressão e reatividade do eixo pituitária-adrenal-cortical, que se constitui em um dos eixos do stress, de modo que pela própria patofisiologia, tanto do stress como da depressão, é de se antecipar que a relação stress-depressão exista.

Na área psicológica, há também evidência de que a depressão possa ser um sintoma de stress patológico, principalmente do stress interpessoal. Depressão e stress se confundem e tornam o diagnóstico diferencial muito difícil em certos momentos. O quadro a seguir mostra os pontos em comum entre stress e depressão.

Quadro 1
Sintomas em comum do stress em fase avançada e dos transtornos de humor:

Sensação de cansaço e desgaste;
Diminuição da libido;
Dificuldades com a memória;
Autodúvidas;
Hipersensibilidade emocional;
Vontade de fugir de tudo;
Inabilidade de concentração;
Dificuldade de tomar decisões;
Confusão mental.

Os sintomas do Quadro 1 compõem um subquadro do diagnóstico do stress: a depressão.
Na verdade, a depressão enquanto sintoma do stress está relacionada às condições de adaptação do momento. Quando a necessidade de adaptação ultrapassa os recursos internos da pessoa, o quadro do stress evolui para a Fase de Quase-exaustão e, posteriormente, para a Exaustão.

Para tornar claro o processo de desenvolvimento do stress é necessário considerar que o quadro sintomatológico do stress varia dependendo da fase em que se encontre. Na Fase de Alerta - considerada a fase positiva do stress - o ser humano se energiza através da produção da adrenalina; a sobrevivência é preservada e uma sensação de plenitude é freqüentemente alcançada.

Na segunda fase - a da Resistência - a pessoa automaticamente tenta lidar com os seus estressores de modo a manter sua homeostase interna.

Se os fatores estressantes persistirem em freqüência ou intensidade, há uma quebra na resistência da pessoa e ela passa à Fase de Quase-exaustão. Nesta fase, o processo do adoecimento se inicia e os órgãos que possuírem uma maior vulnerabilidade genética ou adquirida passam a mostrar sinais de deteriorização.

Em não havendo alivio para o stress através ou da remoção dos estressores ou através do uso de estratégias de enfrentamento, o stress atinge a sua fase final - a da Exaustão, onde doenças graves podem ocorrer nos órgãos mais vulneráveis, como enfarte, úlceras e psoríase, dentre outros. A depressão passa a fazer parte do quadro de sintomas do stress na Fase de Quase-exaustão e se prolonga na Fase de Exaustão.

O diagnóstico diferencial entre a depressão sintoma de stress e outros tipos de depressão, inclusive a biológica que ocorre como efeito colateral de medicamentos e a que faz parte do quadro de transtorno psiquiátrico, é bastante complexo. Para se diferenciar a depressão sintoma de stress é preciso analisar se a pessoa está tendo que fazer um esforço muito grande para se adaptar a algo, como por exemplo uma hospitalização, mudança de emprego ou separação conjugal.

Nos casos da depressão sintoma de stress, uma vez resolvido o estado de tensão, a depressão desaparece sem necessidade, na maioria das vezes, de medicação anti-depressiva. O tratamento da depressão sintoma de stress é realizado através do uso dos quatro pilares do treino de controle do stress: alimentação anti-stress, relaxamento muscular, exercício físico e reestruturação cognitiva.

Em uma época quando se tenta entender o stress a fim de nos defendermos de seus efeitos negativos aparece a noção de que se o stress for bem compreendido ele pode ser utilizado para melhorar a produtividade da pessoa.

Quando se torna necessário enfrentar uma situação ou de muita tensão ou de muita alegria nosso organismo produz adrenalina em quantidades grandes. Esta substância, produzida pelas glândulas supra renais, impulsiona a pessoa. Ela motiva energia, dá ânimo e ambição. Durante momentos de stress em sua fase inicial podemos passar horas ou dias sem dormir direito, sem nos alimentarmos adequadamente e sem pensarmos em outras coisas que não sejam a nossa preocupação principal. O stress gera esta força toda e sem um pouco de stress a vida se torna tediosa e desmotivada. Todos precisamos de um pouco da energia gerada pelo stress para vivermos uma vida mais adequada.

Curiosamente, existe uma correlação muito grande entre o stress ao qual a pessoa está submetida e seu nível de produtividade. De início a correlação é positiva, mas quando o stress se torna pronunciado demais, ela passa a ser negativa. Deste modo, no início de períodos de tensão, a produtividade aumenta à medida que o stress se acentua e depois de algum tempo, se o stress não é reduzido, o organismo começa a se enfraquecer e a produtividade inicia sua queda. Tanto que doses extremas de stress ocasionam a queda. Tanto que doses extremas de stress ocasionam a queda total da produtividade.

É interessante notar que momentos de grande stress quando a tensão está ainda dentro da habilidade da pessoa absorver coincidem com picos de produtividade no ser humano. Se, no entanto, o stress passa dos limites de resistência da pessoa, aí a produtividade decai gradualmente até que o déficit seja significativo.

As pessoas mais bem sucedidas profissionalmente são justamente aquelas que sabem gerenciar o stress a seu favor. Quem não sabe gerenciá-lo corre o risco de entrar na fase mais negativa do processo de stress, aquela em que a produtividade se torna prejudicada.

O ideal seria que as pessoas aprendessem a manejar o stress de modo a terem uma vida mais feliz, motivada e produtiva em todos os seus aspectos. Como, então, gerenciá-lo? Em um primeiro momento importante se torna saber nosso limite de habilidade para lidar com o stress. Todos, por mais inteligentes e capazes que sejamos, temos um limite. Nossa experiência de clínica mostra que é mais provável que uma pessoa competente e capaz se deixe cair em fase de stress excessivo do que uma pessoa menos capaz. Isto porque tal pessoa em geral assume mais responsabilidade e tenta sempre enfrentar as dificuldades da vida sem repassá-las para outros. Essa atitude, nobre que seja, leva a uma sobrecarga e a uma falta de cautela em geral perigosa. Deste modo, o primeiro passo e saber nosso limite; depois é preciso identificar nossas fontes de stress. Algumas devem ser preservadas, outras podem ser descartadas. O terceiro passo seria adquirir estratégias psicológicas para lidar com o excesso de tensão. Com estes conhecimentos a pessoa se torna capaz de reconhecer em si mesmo os sinais de que seu limite está se aproximando, saberá eliminar os estressores desnecessários e se fortalecer para não sofrer qualquer efeito negativo. Se após momentos de stress, fazemos exercícios de relaxamento, ou praticamos esporte; se temos uma alimentação rica em nutrientes anti-stress e se temos uma atitude psicologicamente adequada dificilmente se entrará em uma fase perigosa do stress.

Quando sabemos usar a força energética gerada pelo stress podemos atingir picos incríveis de produtividade sem arriscarmos o adoecimento do organismo. Saber usar o stress é sem dúvida uma arte, mas uma arte que vale a pena.

Marilda Emmanuel Novaes Lipp

Entrevista com Lider Pesquisador em Ansiedade. Dr. Jonathan Davidson

Fonte: ADAA

Dr. Davidson, como você se envolveu com as pesquisas em torno dos transtornos de ansiedade?
No meu primeiro trabalho como psiquiatra residente, eu achei interessante. Tornei-me familiar com medicamentos que meus colegas detestavam receitar, os maus. Estes medicamentos eram considerados perigosos e ineficazes e a pessoa para quem eu trabalhava era considerado um dos experts mundiais no uso destes medicamentos. Foi sorte minha. Isto aconteceu em 1960. As doenças que eles mais tratavam eram Transtornos Fóbicos e Depressão.

Você poderia ressaltar alguns dos estudos que estão fazendo atualmente?
Estamos realizando estudos sobre Fitoterapia (remédios feitos de plantas) e sua eficacia no tratamento da ansiedade, especialmente Kava-Kava e Erva-de-São João. As principais questões a respeito destas ervas incluem: Tratamentos com plantas têm credibilidade? Eles funcionam como outros tratamentos? Se eles funcionam, outras perguntas surgirão, tal como ter certeza que certa marca é boa.
Estamos também conduzindo um estudo com Fluoxetina e prevenção de recaídas em estresse pós-traumático (EPT). Estamos considerando as pessoas que responderam bem a droga por seis meses, e depois tendo sido retirado o medicamento, a associação com o retorno de algum dos sintomas.
Estamos conduzindo um estudo genético em famílias para determinar os fatores de risco para se ter E.P.T. Temos entrevistado os parentes de pessoas que tiveram exposição á traumas. Em um estudo com vitimas de estupro que desenvolveram E.P.T, descobrimos que existe uma história de depressão nos pais, então existe uma probabilidade da pessoa desenvolver E.P.T. Estamos fazendo também estudos com vitimas de outros traumas, mas desta vez incluímos homens, porque estudos anteriores foram realizados só com mulheres.
Também estamos fazendo um extenso estudo com ansiedade social (Fobia Social) comparando Fluoxetina com terapia comportamental em grupo com a Dra. Edna Foa. Neste estudo os pacientes são tratados com medicamentos, terapia e outro grupo, com ambos. Esperamos resultados importantes.

Notamos que você recebeu seu certificado com médico Homeopata. Isto significa que você está explorando homeopatia para o tratamento da ansiedade?
Não uso muito a homeopatia porque até agora não a achei muito efetiva, mas estamos fazendo estudos sobre homeopatia. Estamos fazendo um estudo sobre depressão em Londres e também outro estudo vendo o tipo (como introvertido e extrovertido- a homeopatia tem seu sistema de classificação dos tipos) e estamos criando um measurement para testar o sistema. É um estudo trans-cultural e estamos descobrindo que existem um ou mais tipos que são altamente ansiosos.

Existem outros medicamentos com os quais esteja conduzindo estudos, agora?
Estamos sempre fazendo estudos com droga normalmente patrocinadas por companhias farmacêuticas. Estamos estudando todas as desordens de ansiedade atualmente, com drogas como Olanzapine (Zyprexa), Mirtazapine (Remeron), Nefazodone (Serzone), Fluoxetina (Proxac), Sertralina (Zoloft) e Fluvoxamina (Luvox). Foi gratificante ver os benefícios do anti-depressivo Venlofaxine para tratar diversos Transtornos de Ansiedade.

Atualmente, quais áreas têm chamado mais atenção?
Os tratamentos com ervas (fitoterapia). Não sabemos ainda se são tão eficazes.

Existem áreas de estudos relacionadas a ansiedade, que não estão recebendo atenção suficiente?
Com relação a ansiedade, todas as áreas estão em falta de fundos e estudos.

Qual a sua visão destes estudos para o futuro?
Penso que precisamos entender melhor como ajudar as pessoas a ficarem realmente bem. É importante aliviar sintomas, mas algumas vezes, elas não ficam tão bem como gostaríamos. Precisamos oferecer melhores tratamentos. Devemos procurar tratamentos com menos efeitos colaterais. Existem melhores medicamentos hoje, do que há 10 anos atrás, mas ainda causam muitos efeitos colaterais.

Quais as direções que precisam ser seguidas nos estudos de ansiedade?
As bases biológicas dos transtornos de ansiedade devem ser provadas.
Precisamos de tratamentos mais efetivos e seguros. Precisamos de mais campanhas sobre saúde mental para educar o público e os profissionais sobre a importância de se tratar ansiedade e quais as conseqüências do não tratamento. Outra área é o diagnóstico de crianças mais cedo.

Antidepressivos podem levar ao suicídio, diz estudo

Anne C. Mulkern
The Denver Post
13/09/2004
Em Washington Tradução: Danilo Fonseca

Reguladores federais sabiam já em 1986 que certas pessoas que tomaram Prozac se suicidaram com armas de fogo ou se enforcando e que algumas tentaram o suicídio ou alimentaram fantasias quanto a tirar a própria vida.

Segundo a Administração de Alimentos e Remédios (FDA, na sigla em inglês, a agência governamental norte-americana que regula e fiscaliza a fabricação de comestíveis, drogas e cosméticos), "não havia evidências que sugerissem que o Prozac fosse o causador desses eventos".

Dezoito anos depois, como os estudos revelaram a existência de um possível vínculo entre os novos antidepressivos e um risco mais alto de suicídios de crianças, a FDA está reavaliando a sua posição, indicando que poderia obrigar os fabricantes desses medicamentos a aumentar as advertências pela segunda vez neste ano. 

Uma revolução no consumo dos remédios psiquiátricos se seguiu à aprovação do Prozac em dezembro de 1987. No ano passado, os médicos forneceram 142 milhões de receitas para a compra de antidepressivos de última geração. Nos anos anteriores, a FDA perdeu ou ignorou repetidamente as oportunidades de examinar essas drogas extremamente populares, segundo revelam documentos obtidos pelo "The Denver Post" e uma série de entrevistas conduzidas pelo jornal. 

Na sua análise do descuido da FDA com os novos antidepressivos, o "The Denver Post" descobriu que:

- Apesar das preocupações seguidas por não se saber se os fabricantes desses medicamentos teriam examinado suficientemente os ricos de que eles causassem  reações violentas, a FDA nunca encomendou pesquisas diretamente voltadas para a questão, e tampouco solicitou às companhias de medicamentos que o fizessem.

- Um importante funcionário da FDA, que durante 20 anos chefiou a divisão de drogas psiquiátricas do órgão, disse que a segunda geração de antidepressivos foi aprovada por um processo regulador que exige apenas uma comprovação limitada de eficácia e segurança. "Não conhecemos o risco tão claramente. Estamos trabalhando em meio a um mar de ignorância", disse o funcionário, o médico Paul Leber, ao "The Denver Post".

- Segundo os documentos, as companhias farmacêuticas estavam conscientes da necessidade de omitir os relatos de reações suicidas e homicidas. "Creio que tanto a indústria farmacêutica quanto a FDA foram irresponsáveis ao não informarem mais aos médicos e à população sobre esse problema", diz Joseph Glenmullen, psiquiatra da Universidade Harvard e autor do livro "Prozac Backlash" ("O Retrocesso do Prozac").

"Ficou realmente claro que a FDA não tomou providências quanto a esse problema durante 15 anos. Eles simplesmente varreram a coisa toda para debaixo do tapete até que foram pegos de calças arriadas", afirma Glenmullen.

A FDA só tomou providências depois que autoridades de saúde britânicas e canadenses já haviam adotado medidas agressivas. A FDA divulgou a sua advertência após o vazamento da informação de que um dos seus funcionários escreveu um relatório demonstrando que as crianças e adolescentes que tomam esses medicamentos correm mais riscos de tentarem o suicídio. Glenmullen e outros acreditam agora que novas evidências nesse sentido quanto às crianças reabre a questão a respeito dos riscos para os adultos.

Houve uma série de oportunidades para que se atuasse mais rapidamente. Relatórios sobre suicídios de pacientes que tomam Prozac chegaram à agência "aos montes" em 1990 e 1991. A FDA realizou uma sindicância e disse que não havia provas de que as drogas causassem violência, mas falhou ao não promover pesquisas mais específica.

Nos anos seguintes, à medida que era pedida a aprovação de drogas que imitavam o Prozac, a FDA recebeu relatórios que falavam de casos de automutilação, mania e suicídio. A FDA solicitou mais dados às indústrias farmacêuticas, mas não as forçou a estudar a questão mais a fundo. A agência também falhou ao não exigir que essas companhias padronizassem os dados sobre ações e pensamentos suicidas para que as informações pudessem ser mais facilmente analisadas.

Funcionários da FDA se recusaram a responder a pedidos seguidos de entrevistas, afirmando que já tinham audiências marcadas para esta semana para revisar um novo estudo que revela um vínculo entre os antidepressivos e um maior risco de atitudes suicidas em adolescentes.

Na semana passada, a Subcomissão de Supervisão e Investigação do Congresso realizou uma audiência para determinar se as indústrias farmacêuticas omitiram dados sobre a eficácia dessas drogas. Uma outra audiência, marcada para 23 de setembro, examinará a questão da segurança desses produtos.

Com base no número de receitas prescritas para a aquisição de Prozac, Paxil, Zoloft, Luvox, Celexa, Lexapro, Effexor, Wellbutrin, Serazone e Remeron, a maior parte dos médicos acredita nitidamente que esses remédios sejam mais úteis que prejudiciais. Segundo a IMS Health, empresa que analisa o mercado norte-americano de medicamentos, os novos antidepressivos só perdem para a codeína em termos de número de receitas médicas fornecidas nos Estados Unidos.

De acordo com Richard Kapit, que trabalhou na FDA durante 20 anos e que avaliou o Prozac, quando comparado com antidepressivos mais antigos, o Prozac apresenta menos efeitos colaterais e é bem mais seguro.

Ele diz que o remédio pode ou não causar suicídio e violência, mas esses fatores de risco eram também encontrados nos medicamentos mais antigos. Kapit diz que deveriam ter sido realizado estudos logo após a inserção da droga no mercado.

"Por que esses estudos não foram feitos? Acredito que eles procuraram contornar o problema. Alguém decidiu que havia outras prioridades", acusa Kapit.

Um outro ex-administrador da FDA afirmou que os riscos de longo prazo dos antidepressivos também são desconhecidos. "Dentro de um quadro maior, tenho algumas dúvidas quanto ao valor desses medicamentos", disse Leber, que é psiquiatra. Ele atualmente é consultor da indústria farmacêutica, à qual fornece conselhos sobre drogas psiquiátricas e neurológicas.

Leber trabalhou na FDA por mais de 20 anos antes de deixar a instituição em janeiro de 1999. Como diretor da divisão de produtos neurofarmacológicos por 15 anos, ele recomendou a aprovação do Prozac, do Zoloft e do Paxil, entre outros medicamentos.

Leber acredita que tais medicamentos sejam seguros, conforme a definição legal, mas diz que pouco foi provado sobre as drogas relativamente novas em termos dos seus riscos potenciais. Segundo ele, não existe um número suficiente de suicídios para permitir que se faça um estudo científico.

Os antidepressivos têm sido uma grande fonte de lucros para a indústria farmacêutica, e a FDA se beneficia de parte dessa receita. Os fabricantes de medicamentos precisam pagar à FDA taxas sobre as vendas. A arrecadação total dessas taxas aumentou de US$ 34 milhões em 1993, o primeiro ano em que foram recolhidas, para US$ 215 milhões em 2003.

Quando o Prozac e drogas similares estavam passando pelo processo de aprovação, de 1986 até o início dos anos 90, os fabricantes de remédios pareciam estar conscientes da necessidade de escamotear a questão do suicídio.

Em um memorando de 7 de fevereiro de 1990 da empresa Eli Lilly, obtido pelo "The Denver Post", W. Leigh Thompson, cientista da unidade de investigações clínicas da Lilly, expressava preocupações após Leber ter pedido à empresa que comparasse os índices de agressão e pensamentos suicídios dos usuários do Prozac com os dos pacientes que tomavam outros antidepressivos. Esses dados estavam no banco de dados de uma agência britânica de saúde.

"A Lilly poderá arcar com um grande prejuízo se perdermos o Prozac, e basta apenas um evento no Reino Unido para que isso aconteça", escreveu Thompson aos colegas, manifestando preocupação quanto a uma possível revisão britânica.

Outros memorandos de 1990 revelam que a Lilly lutou para que os rótulos dos seus medicamentos não fossem alterados, passando a incluir dados relativos ao suicídio. E funcionários da companhia acreditavam que Leber protegeria os interesses da indústria, segundo revelam documentos.

De acordo com um memorando da Lilly, Thompson ligou para Leber às 6h15 de 18 de julho de 1990 para falar sobre a questão do suicídio. Thompson observou que "a Lilly e a FDA estão trabalhando na questão do suicídio".

Em uma entrevista, Leber disse que estava fazendo o seu trabalho, que exigia que ignorasse as pressões políticas e avaliasse cientificamente as drogas. "Quero acreditar que, considerando as informações de que dispunha na época, fiz o que deveria ter feito", disse ele.

Os contestadores da FDA à época parecem ter sido ignorados. Em um memorando de 11 de setembro de 1990, David Graham, diretor de epidemiologia, acusou o estudo da Lilly de ser impróprio, por ter excluído 76 de um total de 97 casos, quando avaliava se os pacientes que tomavam antidepressivos manifestavam tendências suicidas.

Graham escreveu que a Lilly também usou comparações enganosas e que "a análise da firma não pode ser considerada como prova de que o Prozac e o comportamento violento não estejam relacionados".

Ao mesmo tempo, relatórios de "suicídios bem sucedidos" chegam à FDA "aos montes", conforme depôs em uma audiência em tribunal, em 13 de março de 2003, Martin Brecher, ex-funcionário médico da divisão de drogas neurofarmacológicas da FDA. Brecher disse que em algum momento entre 1990 e a primeira metade de 1991, ele revisou relatórios trimestrais feitos pela Lilly que documentavam casos de suicídio por parte de pessoas que tomavam Prozac.

"Foi algo realmente extraordinário, especialmente ao se comparar com outros relatórios anuais. Como se sabe, havia 20 relatórios sobre casos de gripe ou talvez dois sobre elevação do nível de enzimas no fígado. Só que tínhamos na nossa frente 20 relatórios relativos a mortes", disse Brecher no seu depoimento.

"O volume de relatórios de suicídios consumados de pacientes que tomavam fluoxetina (Prozac) fez com que aumentasse o questionamento sobre o vínculo entre medicamento e suicídio. No entanto, nenhuma resposta foi sugerida".

Em um memorando de 20 de janeiro de 1994, Roger Lane, da Pfizer Corporation, disse ao colega E. Giller-Groton que a sua sugestão de procurar estudar o uso do Zoloft em pacientes com problemas de agressividade seria uma idéia "difícil de vender na companhia devido aos problemas enfrentados com o Prozac".

"O mercado está bastante consciente de que um paciente que use o Zoloft e que esteja envolvido com um incidente de homicídio em massa poderia afetar seriamente a imagem e o sucesso comercial do produto", diz o memorando.

A porta-voz da Pfizer, Shreya Prudlo, diz que "a Pfizer estudou o impacto do Zoloft no tratamento de sintomas e ansiedade e doenças depressivas, monitorou cuidadosamente e avaliou todos os eventos adversos, incluindo o suicídio e a violência".

Há extensos estudos, a maioria deles financiada por fabricantes de medicamentos, revelando que essas drogas funcionam e são seguras. No entanto, muitos testes são de curta duração, tendo apenas entre seis e oito semanas. Os pacientes que interrompem o tratamento devido a graves efeitos adversos, incluindo tentativas de suicídio e manias, não são compilados nas percentagens finais de risco.

"Nos testes clínicos... algo entre 15% e 21% dos pacientes interromperam o uso da droga entre seis e oito semanas devido a efeitos colaterais intoleráveis", afirma Thomas J. Moore, analista do Centro Médico da Universidade George Washington, em Washington,

D.C. "Seria difícil encontrar uma outra classe de drogas de uso tão comum e com um histórico tão ruim."

Um juiz que disse ter visto documentos internos da indústria farmacêutica ainda protegidos por sigilo pelo tribunal diz que os fabricantes tiveram sucesso em esconder os dados dos médicos e, em alguns casos, da FDA.

"Há evidências que indicam que as companhias farmacêuticas conheciam os riscos (de suicídio e violência) desde os anos 80", disse Karen Barth Menzies, que está representando cerca de cem pessoas que processam os fabricantes devido a casos de suicídio nas suas famílias.

Não há consenso entre os médicos quanto à suposição de que a FDA teria agido muito vagarosamente. John March, professor e chefe da divisão de psiquiatria de crianças e adolescentes do Centro Médico da Universidade Duke, diz: "A FDA fez todas as coisas de forma totalmente correta". March acaba de concluir o maior estudo independente até o momento sobre a versão genérica do Prozac e os adolescentes. Segundo ele, autoridades do setor de saúde britânicas e canadenses "chegaram a conclusões prematuras", enquanto a FDA aguardou pela reavaliação dos dados da indústria farmacêutica, disse ele.

Já Steven E. Hyman, ex-diretor do Instituto Nacional de Saúde Mental e atualmente reitor da Universidade Harvard, diz acreditar que a FDA foi cautelosa porque a agência não queria enviar uma mensagem "assustadora" que faria com que as pessoas não tomassem os medicamentos.

Hyman acredita que a maior parte das pessoas se beneficia dessas drogas, mas confessa estar perturbado com o fato de se conhecer tão pouco sobre elas.  

"Tenha uma profunda sensação inquietante de que nós realmente não entendemos o que está se passando", diz ele. "Precisamos de testes financiados pelo governo. São necessários testes objetivos e imparciais".

 
 

EXERCÍCIO MAL-FEITO TEM EFEITO CONTRÁRIO

Fonte: BemStar http://bemstar.ig.com.br
nnalini@uol.com.br


Aqueles que sabem ou desconfiam que o sedentarismo está matando cada vez mais pessoas no mundo, buscam soluções para prevenirem este mal, que assola a humanidade. A modernidade nos trouxe muitos benefícios, mas é a grande incentivadora da inatividade física. Movimentos por menores que sejam, estão sendo abolidos da sociedade moderna. Trocar o canal, lavar roupa, até já é possível fazer compras no supermercado por meio de telefone ou internet. Se a falta de tempo é um problema, maior ainda é o leque de doenças que vem acompanhando o sedentarismo. Não estamos apenas tentando incentivar você freqüentar uma academia, fazer exercícios por você mesmo determinados de maçantes. Mas pense um pouco em você, em sua saúde. Não seria bom ir ao médico para se consultar e constatar uma saúde perfeita? Fazer apenas um trabalho preventivo, economizaria tempo, dinheiro e com certeza muitos aborrecimentos.

Algumas pessoas, por sinal muitas, já estão se exercitando, seja nos calçadões das praias, em praças, na própria residência e por motivos diversos: por falta de dinheiro para bancar uma academia, um clube, uma escolinha ou um personal trainer; por falta de tempo; por simplesmente preferir atividades ao ar livre ou na comodidade de sua casa... mas todos tiveram uma razão para se iniciar na prática. Seja porque já aconteceu algum abalo em sua saúde ou porque conseguiu ser sensibilizado a cuidar dela. Mas cuidado se sua intenção é iniciar-se na atividade física agora. Seria até interessante antes dar um pulinho em seu médico (cardiologista, ortopedista, clínico geral...) e fazer alguns exames. E quem sabe pagar pelo menos para fazer uma avaliação física, em uma academia de confiança. A avaliação te dirá quanto você está de percentual de gordura entre outras coisas. A partir desta avaliação geral de sua saúde e seu condicionamento inicial, estará apto a começar a mexer-se. Mas ainda assim, cuidado! O mesmo cuidado que você deve ter quando escolher uma academia séria, com profissionais competentes, credenciados no Conselho Regional e experientes, terá que ter em dobro em casa ou na rua, exercitando-se sozinho. Por conta própria, você não terá um acompanhamento de seu rendimento, não terá ninguém para te auxiliar e corrigir seus movimentos, mesmo que seja uma simples caminhada. Ainda se vê muito hoje em dia, pessoas que buscam a beleza fácil, com remédios, produtos recém-lançados e nem ao menos testados em grande escala. Mesmo não obtendo resultado satisfatório com um produto, procura-se outro similar. Por que ainda fazemos isso? Nossa saúde vale muito e não podemos brincar com ela.

Exercitar-se, ter um hábito alimentar saudável e saber lidar com o estresse diária, não é apenas uma receita de alguns, nem nenhum milagre. É necessário dedicação e perseverança. Portanto, cuide-se bem e sempre! Aqui vão alguns conselhos úteis para você entrar em forma, com saúde:

Escolha um sapato ideal para caminhadas e exercícios. Existem tênis específicos para futebol, basquete, futsal assim como para caminhadas. Use meias também, para prevenir que seu pé soe demais e possa causar uma torção muscular. Nunca use sandálias, chinelos para correr, caminhar ou praticar qualquer esporte. Sapato alto nem pensar!;

:: Para exercitar ao ar livre, vale a recomendação dos dermatologistas: olho no relógio! Sol até as 10:00 ou após as 16:00;
:: Cuidado com atividades físicas feitas em ambientes muito poluídos, isto causa danos a sua saúde;
:: Peça para alguém dar uma olhadinha em sua postura. Às vezes, não temos muita noção corporal e não percebemos se estamos com a postura correta ou não. Fazer um exercício errado é pior que não fazê-lo;
:: Alongue-se antes e depois dos exercícios ou prática esportiva. Vemos muitas "peladas" que deixam de molho muita gente por um bom tempo, só porque a pessoa não teve o cuidado de se alongar e aquecer a musculatura. Se você está há muito tempo parado, pode até mesmo se alongar entre um exercício e outro;
:: Cuidado ao optar pela corrida, se você está muito tempo parado. Você, com certeza, irá correr menos que o suficiente e ainda corre um sério risco de se machucar, pois a biomecânica da corrida não é tão simples assim. O ideal seria começar com a caminhada e se possível utilizar-se de um freqüencímetro, que controla sua freqüência cardíaca. É bom não exagerar, pois se não irá ficar mais tempo se recuperando em casa, do que se exercitando;
::Se tiver um espelho em casa, coloque na sua frente para que tenha uma idéia de sua postura ao realizar um exercício. Tente manter o quadril encaixado (pergunte algum professor como faz ou uma bailarina) e os joelhos semi-flexionados (um pouquinho dobrados);

Se for seguir a orientação de exercícios de alguma revista, cuidado com o número de repetições. Você tem que ter consciência do tempo exato que está parado e qual é o seu limite. Se quiser fazer 15 repetições é preciso se sentir confortável para isto. O que ocorre muito é que quando o número de repetições ou a carga é maior do que o seu limite, a chance de você começar a executar o exercício errado (mesmo iniciando certo) é muito maior. A fadiga atrapalha o rendimento, a execução.

Nunca se esqueça que assim como tomar remédio sem orientação médica, fazer exercícios sem orientação de um profissional também pode prejudicar ainda mais sua saúde.
 


MEEntes que aprisionam

Paula Neiva e Karina Pastore
Fonte: Revista Veja- Maio 2004
Todo mundo tem lá suas manias: verificar se o gás está mesmo desligado, somar os números da placa do carro da frente, organizar certos objetos com simetria e por aí vai. O jogador e galã inglês David Beckham, por exemplo, além de colecionar namoradas indiscretas, tem o costume de guardar sempre em sua geladeira um número par de latinhas de refrigerante. As manias são uma espécie de atavismo. Sob a ótica das teorias evolucionistas, algumas delas foram essenciais para o desenvolvimento e a preservação da espécie humana. De nossos antepassados longínquos, sobreviveram os mais prudentes e precavidos – justamente os "maníacos" por estocar alimentos, zelar pela prole e evitar as ameaças naturais. Ter uma ou outra mania, portanto, está dentro do quadro de normalidade. Elas nos tranqüilizam em relação a perigos, ajudam a organizar a rotina e até a passar o tempo.

Por diversos motivos, muitos dos quais ainda não totalmente esclarecidos pela ciência, as manias podem, no entanto, se transformar em doença. Chamado cientificamente de transtorno obsessivo-compulsivo, ou TOC, o mal ocupa o quarto lugar entre os distúrbios psiquiátricos mais freqüentes, com quase 7 milhões de vítimas no Brasil. Quem padece de TOC é acometido por pensamentos intrusivos ou idéias recorrentes e, para aliviar a angústia causada por essas obsessões, desenvolve comportamentos repetitivos – designados pelos médicos de rituais compulsivos. De todas as doenças da mente, o TOC é uma das que mais impingem sofrimento. Ele transforma seus portadores em "escravos de suas próprias idéias e ações", como define a psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva, autora do best-seller Mentes e Manias – Entendendo Melhor o Mundo das Pessoas Metódicas, Obsessivas e Compulsivas.

O pano de fundo para o TOC é um medo, assim como ocorre no caso dos fóbicos. Só que os portadores de fobias têm um medo irreal em relação a um objeto real – e evitam entrar em contato com o suposto perigo, para afastar uma crise. No caso dos obsessivo-compulsivos, é mais complicado. O que gera angústia é um pensamento que causa medo. Para se livrarem dele, adotam comportamentos compulsivos. Um dos quadros mais comuns do distúrbio é o que envolve o medo obsessivo de contaminação – um bom exemplo é o personagem de Jack Nicholson no filme Melhor É Impossível, que, entre outras manias, usava luvas quase o tempo todo, só comia com talheres descartáveis e não pisava nos rejuntes das calçadas. Alguns pacientes chegam a se lavar com produtos pesados de limpeza, como água sanitária e detergente, só porque encostaram em outra pessoa. Muitos não se contentam com um banho. Só se tranqüilizam depois de vários e longos banhos. "A diferença entre a mania saudável e a patológica é muito mais quantitativa do que qualitativa", afirma o psiquiatra Márcio Versiani, coordenador do Programa de Ansiedade e Depressão da Universidade Federal do Rio de Janeiro. A doença se manifesta, enfim, quando as manias incapacitam para as atividades cotidianas.

As vítimas de TOC são como Sísifo, personagem do clássico Odisséia, poema épico de Homero. Como castigo por ter enganado Zeus, o deus dos deuses, Sísifo foi condenado a levar uma pedra enorme até o topo de uma montanha – para vê-la sempre rolar até o sopé e começar tudo de novo. Em O Mito de Sísifo: Ensaio sobre o Absurdo, o escritor francês Albert Camus (1913-1960) escreve: "Se esse mito é trágico, é porque o seu herói é consciente. Onde estaria a sua tortura se, a cada passo, a esperança de conseguir o ajudasse? Sísifo, impotente e revoltado, conhece toda a extensão de sua miserável condição. É nela que pensa durante a sua descida". Os obsessivo-compulsivos têm consciência de que seus pensamentos e atitudes são completamente ilógicos. Ainda assim, como Sísifo, eles têm plena consciência de seu martírio, mas não conseguem se livrar da condenação imposta por suas mentes.

O impacto do TOC pode ser devastador. Depois de acompanhar cerca de 700 pacientes, médicos do Hospital Mount Sinai, em Nova York, concluíram que 70% deles tiveram suas relações familiares estraçalhadas pela mania patológica. Nove de cada dez obsessivo-compulsivos sofrem de baixa auto-estima. Não é de estranhar, portanto, que o transtorno freqüentemente se faça acompanhar de outros distúrbios psiquiátricos, sobretudo depressão, dependência do álcool e fobias específicas. Não bastasse a angústia provocada pela doença em si, o TOC faz com que o paciente carregue o peso da vergonha. Por isso, os doentes tendem a camuflar os sintomas e custam a procurar ajuda. "Entre o surgimento dos primeiros sinais e o diagnóstico de TOC, os pacientes levam, em média, dezessete anos", diz o psiquiatra Eurípedes Miguel, coordenador do Projeto Transtornos do Espectro Obsessivo-Compulsivo, da Universidade de São Paulo. "O problema é que, quanto mais tempo um paciente passa sem tratamento, mais os sintomas se intensificam."

Sem ajuda, a doença é incontrolável. "É uma luta inglória, com derrota garantida", define Ana Beatriz Barbosa Silva, no livro Mentes e Manias. Os pensamentos repetitivos e as idéias fixas acabam congestionando o cérebro. Todos os rituais a que os pacientes se submetem como forma de afastar as obsessões estimulam ainda mais esses pensamentos. O contrário também dá na mesma: se eles tentam não executar as tarefas que se impõem, as obsessões ficam mais fortes. O círculo é vicioso: as obsessões deflagram compulsões que reforçam as obsessões. Não raro, os rituais compulsivos não guardam nenhuma relação lógica com a obsessão que os origina. É infernal.

"Eu chorava de ódio de mim mesma porque não conseguia mais controlar meus pensamentos", lembra a atriz Luciana Vendramini, de 32 anos. Os primeiros sinais da doença surgiram em 1996. Nessa época, ela só conseguia dormir se visse um táxi amarelo passando na rua. Em seguida, ela passou a se deitar se visse dois táxis amarelos, um atrás do outro. Depois, os dois táxis amarelos e uma pessoa andando na direção oposta. Uma das características do transtorno é a mudança de manias ao longo do tempo. Foi o que aconteceu com Luciana. Houve um momento em que a atriz condicionava seus atos ao tipo de idéia que lhe vinha à cabeça. Para sair do banho, por exemplo, Luciana precisava "congelar um pensamento bom" na mente. Obviamente, nessas horas, ela só pensava em coisas ruins. Um dia seu pai teve de invadir o banheiro e tirá-la de lá à força. Fazia dez horas que Luciana estava no chuveiro. Ela também enfrentou uma situação complicada quando, em 1997, conseguiu uma participação no extinto programa Você Decide, da Rede Globo, depois de um bom tempo sem trabalhar. "Eu criava rituais para começar o dia que podiam se estender por muitas horas", diz. Com medo de se atrasar para as gravações do programa, ela simplesmente não dormia. Luciana tinha de cumprir várias "obrigações" para sair do quarto: acordava, pegava um colar com a imagem de São Bento, fazia o sinal-da-cruz, colocava o pé direito no chão, depois o esquerdo e tinha de sair do quarto com um pensamento bom na cabeça. Quando saía do quarto, ia para o banho e começava a se lavar – primeiro pelo lado direito do corpo. Nessa etapa, havia novamente a obrigação de formular um pensamento bom. No ápice da doença, a atriz perdia um dia inteiro nesse labirinto de obsessões e compulsões. Avessa a medicamentos, Luciana relutou muito até se convencer de que deveria tomar remédio. Há dois anos, ela conseguiu controlar suas manias. Às vezes, ainda sente uma compulsãozinha por lavar as mãos repetidas vezes, mas não se deixa levar. "A doença não me pega mais", diz. Depois de dois anos de tratamento, Luciana voltou aos palcos.

As causas do TOC ainda não foram totalmente desvendadas. Sabe-se que o transtorno tem componentes ambientais e genéticos. Graças ao desenvolvimento de máquinas capazes de flagrar o cérebro em funcionamento, descobriram-se algumas das áreas cerebrais que servem de sede para as obsessões e as compulsões. As duas principais delas, o córtex órbito-frontal e os gânglios da base, são responsáveis pelo processamento das informações recebidas e pelo controle do medo. Já foi estabelecido também o papel da substância serotonina no desenvolvimento da doença. Produzida no cérebro, a serotonina está associada às sensações de prazer e bem-estar. Por isso, o tratamento medicamentoso do TOC ganhou impulso no fim dos anos 80, quando surgiram os primeiros antidepressivos criados especificamente para manter um nível saudável de serotonina no cérebro – são os remédios da família do Prozac. Dos medicamentos antigos, os tricíclicos, são usados apenas aqueles cuja ação está concentrada na serotonina. O mais usado deles é a clomipramina, vendida sob o nome comercial de Anafranil. O TOC não tem cura, mas pode ser controlado. A combinação de antidepressivos com psicoterapia reduz em até 80% a manifestação dos sintomas. A terapia mais utilizada é a comportamental-cognitiva, em que o terapeuta tenta convencer o doente de que suas preocupações são infundadas. Para isso, ele não só usa argumentos lógicos, como expõe o paciente ao objeto de suas aflições. Os primeiros sinais de melhora começam a surgir entre duas e quatro semanas após o início do tratamento. A medicação é mantida por, ao menos, um ano. O objetivo é diminuir os riscos de recaída.

O TOC foi descrito pela primeira vez em 1838, pelo psiquiatra francês Jean-Étienne-Dominique Esquirol. O caso era o de Mademoiselle F., uma jovem de 18 anos que foi tomada pela aflição de que, um dia, ao visitar a tia, pudesse roubar-lhe algum pertence. Mais tarde, a moça passou a ser acometida por rituais de verificação. Filha de um comerciante, Mademoiselle F. gastava horas e mais horas fazendo e refazendo as contas da loja. Mesmo que os resultados conferissem, a jovem não se convencia. Suas aflições, pouco a pouco, foram aumentando. Ela começou a ter de lavar as mãos sempre que encostava em alguma coisa. Gastava mais de três horas com a higiene diária. Em seguida, passou a não sair mais de casa com medo de se sujar e cair doente. Na época, com muita propriedade, Esquirol usou a expressão "loucos razoáveis" para definir os obsessivo-compulsivos: "O paciente é constrangido a realizar atos (...) que sua consciência desaprova, mas sobre os quais ele não tem controle voluntário (...) É a monomania instintiva. Os monomaníacos têm sempre motivos mais ou menos plausíveis para se justificar".

O conceito de neurose obsessivo-compulsiva, no entanto, só seria concebido no início do século XX, por Sigmund Freud, o pai da psicanálise. Para ele, os pensamentos obsessivos e os rituais compulsivos surgem como resposta inconsciente a determinados desejos que levam a um estado de ansiedade. Por mais desconfortáveis que sejam os sintomas da obsessão e da compulsão, eles seriam menos incômodos do que enfrentar conscientemente as razões do tormento psíquico. O estudo clássico sobre a doença é O Homem dos Ratos, publicado em 1909. Nele, Freud conta a história de um jovem que vivia atormentado pela idéia de que seu pai ou a moça por quem era apaixonado pudessem ser vítimas do ataque de ratos. A obsessão pelo bicho surgiu depois de ele ouvir o relato de um tipo de tortura muito temido naquele tempo. O prisioneiro era amarrado nu, de bruços, com as pernas afastadas. Sobre as nádegas dele, o carrasco colocava, de cabeça para baixo, um balde cheio de ratos. Por meio de técnicas psicanalíticas que ainda estavam em seus primórdios, Freud descobriu que a obsessão do jovem paciente se relacionava ao desejo inconsciente que ele tinha de se opor às vontades do pai. "Ele resolveu esse conflito caindo doente. Assim, evitava resolvê-lo na vida real", escreveu Freud.

Alguns distúrbios psiquiátricos podem ser confundidos com o TOC, como o sexo compulsivo, o jogo patológico, a hipocondria, a bulimia e a anorexia, entre outros. A principal diferença é que os pacientes desses transtornos não têm consciência de que seus pensamentos e atitudes são absurdos. A anorexia, por exemplo, é caracterizada pela preocupação excessiva com o peso corporal e a quantidade de calorias ingeridas. Por mais que o paciente seja magro ou emagreça, ele sempre se vê como gordo e deixa de comer. Um obsessivo-compulsivo que desenvolve um ritual em que deixa de se alimentar não o faz porque se sente feio. Toma esse caminho para afastar de sua mente algum pensamento catastrófico. Além disso, ele tem consciência de que não comer faz mal. Prisioneiro de sua mente, no entanto, ele prefere passar fome a ter de pensar em coisas ruins.

Mesmo pessoas saudáveis são suscetíveis a apresentar traços (leves) de obsessão-compulsão em determinados momentos da vida. "Em situações de stress, elas tendem a ritualizar", afirma o psiquiatra Márcio Bernick, coordenador do Ambulatório de Ansiedade, da Universidade de São Paulo. A maioria dos que embarcam para o exterior tem a mania de, a caminho do aeroporto, conferir inúmeras vezes se o passaporte e a passagem não ficaram para trás. É, sem dúvida, um ritual compulsivo de verificação. Quem já se apaixonou sabe que a paixão é terreno fértil para as obsessões e as compulsões. Até a adolescência, a vida de meninos e meninas é marcada por rituais compulsivos que ajudam no desenvolvimento. As crianças pedem sempre para ouvir a mesma história, como uma forma de estabelecer uma rotina interna. Por volta dos 6 anos, dedicam-se a álbuns de figurinhas, coleções de carrinhos ou de bonecas, o que lhes propicia interagir com o mundo e aprender a desempenhar papéis sociais. Na idade adulta, certos sintomas podem aparecer, sobretudo entre as mulheres grávidas ou que acabaram de ter filho. No último mês de gestação e três meses depois do parto, não é incomum que as mães apresentem uma preocupação obsessiva em relação à criança. Naturais e esperados, os rituais de controlar se está tudo bem com o bebê são importantes para a segurança e a saúde física e emocional da criança.

A reviravolta hormonal e psicológica pela qual as mulheres passam durante o período de gravidez é tão acentuada que algumas das que têm predisposição genética à doença desenvolvem o transtorno a partir dessa fase da vida. Não há levantamentos estatísticos sobre o assunto, mas, segundo os médicos, a prática clínica mostra que um de cada três pacientes de TOC é mulher e apresenta os primeiros sintomas do mal durante ou logo após a gravidez. Nos outros doentes, o distúrbio aparece entre o final da adolescência e o início da idade adulta. Atinge homens e mulheres, ricos e pobres, ocidentais e orientais em igual proporção. A boa notícia é que a ciência hoje consegue manter o TOC sob controle. Ninguém mais está condenado a viver refém da própria mente.

 


A QUÍMICA NA TERAPIA PSICOLÓGICA - SIM OU NÃO?

* Escritor: Geraldo Generoso
 – especial para JORNAL APOIAR

Não obstante os recursos químicos sejam – pode-se dizer – imprescindíveis em grande número de casos, é óbvio que eles não esgotam as possibilidades, nem se pode atribuir a tais expedientes o condão de fazer milagres.

Não padece nenhuma dúvida sobre o fato de que pessoas que gozam de perfeita, ou mesmo média sanidade mental e emocional, não estão sujeitas ou inclusas na lista dos possíveis suicidas.

É, pois, uma pista interessante, balizadora de procedimentos, e uma bússola – ainda que falível – de inegável ajuda aos profissionais envolvidos na prevenção de atos extremos na busca da morte voluntária.

Não se sabe até onde a química revela sua importância, como não é possível também afirmar que ela não seja imprescindível em casos realmente patológicos. Tivemos a era do Vallium, à base de benzodiazepina, com seus vários rótulos. Depois um nome ocupou o arsenal terapêutico, o Hoypinol, também atendendo a demanda de pessoas com distúrbios diversos. Veio, após, o Prozac, uma verdadeira panacéia, igualmente disputado pelos usuários, e eleito por grande número de profissionais psiquiatras.

Isto caracteriza uma evolução, ainda que lenta, se levadas em conta outras áreas da medicina na disseminação de fármacos modernos. Hoje, dada a generalização de problemas de ordem psicológica, nota-se uma maior velocidade da ciência em produzir meios para conter a grande angústia do Terceiro Milênio, que vem como um resíduo do Século XX;

De todo o exposto, fica evidenciado que o homem, como ser dual – psicossomático, carne e psique, requer uma observância de práticas saudáveis, o que em grande parte se resolve com psicoterapias das mais diversas.

Quando a causa é física, requer a intervenção de meios que restabeleçam a harmonia nesse equilíbrio entre um e outro aspecto de sua vida.

Em certos hospitais, em casos de pessoas com tendências suicidas, em décadas anteriores ministrava-se o eletro-choque como recurso, a par com medicamentos injetáveis até mesmo por via endovenosa.

Hoje, como sucedâneo do temido eletro-choque, há aparelhos com a mesma finalidade, sem causar o horror que o antigo equipamento apresentava.

Em contrapartida à onda avassaladora de insultos psíquicos, com gravames de um milênio onde ainda não se atingiu a utopia da igualdade, liberdade e fraternidade, há luzes de variegadas cores ao final do túnel, com mentes poderosas, a aplicar conhecimentos, processos e produtos para aqueles que precisam de tais recursos.

Num momento em que a sociedade passa a reger-se, precipuamente pelo mercado, é preciso que grupos atuem e se organizem para que cada vez maior número de pessoas possam desfrutar das maravilhosas conquistas deste Novo Século. Tudo é válido – química, psicoterapias, psicanálise e, aí inclusa, a espiritualidade de que cada um de nós foi feito, e que, não podendo ignorar o lado espiritual – ainda que até o momento com sua maior parte desconhecida, precisa prevalecer na existência de todos os homens e mulheres. Não é por acaso a estreita relação semântica entre a palavra sanidade e santidade.

* Geraldo Generoso é escritor, editor e conferencista sobre Criação Literária e Auto Ajuda.



ALÉM DO ALCANCE DA SUPERFÍCIE DOS OLHOS

Aaron Beck, é um dos grandes pioneiros da psiquiatria contemporânea. Quase sem ajuda, aos 25 anos, desenvolveu uma nova forma de psicoterapia que trazia em si, desde o início, a validação empírica de seus benefícios.
Beck graduou-se em Yale Medical School em 1946. Iniciou sua carreira estudando neurologia, mas mudou para psiquiatria, e foi por dois anos, um dos membros da equipe de Austen Riggs, um hospital psicanalítico particular localizado em Berkshires. Mudou-se para Filadelfia em 1954, quando se afiliou a Penn e entrou no Instituto Psicanalítico, graduando em 1958.
Dr. Beck estava interessado em pesquisa. Seu primeiro estudo publicado foi uma tentativa de determinar se era possível medir o conceito freudiano de “agressão contra si mesmo” como maneira de explicar a depressão. Beck estudou os sonhos de pacientes depressivos, mas suas conclusões não deram suporte às teorias de Freud. Nesta época ele se viu forçado a se afastar da psicanálise e desenvolver suas próprias idéias.

Dr. Beck descreveu o grupo de analistas com quem ele trabalhou como bem intencionado, mas com falta de treinamento em pesquisa formal e falta de noção de dúvida e auto-critica. Quando alguma pesquisa do Dr. Beck falhava em confirmar a teoria, diziam para ele: “Procure com mais profundidade”. Anos mais tarde, ele usaria uma frase totalmente contraria em suas palestras: “Existe mais do que pode ser trazido à superfície do que ao alcance dos olhos”. (There's more on the surface than meets the eye".)
Beck baseou suas observações clínicas cognitivas na observação dos pensamentos automáticos e nas auto-analises negativas de seus pacientes com depressão. Ele foi influenciado pelo trabalho do psicólogo George Kelley (1905-67), um professor que escreveu um livro chamado: "The Psychology of Personal Constructs".

Depois de praticar analise no primeiro ano de sua carreira, Beck começou a pedir a seus pacientes que se sentassem e focassem nas distorções negativas que existiam nas suas relações interpessoais. No inicio esta idéia era só para fazer um adendo a analise. Eventualmente ele percebeu que “a teoria analítica” não era comprovável pelas hipóteses, não havia consistência entre o material clinico de um analista para outro, e os métodos de tratamento não eram confirmados serem efetivos. Ainda que Beck eventualmente abandonasse sua participação no American Psychoanalytic Association, ele serviu como membro por anos na mais liberal American Academy of Psychoanalysis. Ironicamente, o livro que introduziu seu novo modelo terapêutico, depois de rejeitado por 12 outras editoras, foi editado pela maior editora analista, a International Universities Press, que teve lucros
significantes com esta decisão.

O modelo de Beck foi transmitido por seu programa de treinamento e pesquisa iniciado em 1976. Beck diz que ele foi beneficiado por Penn, que nunca foi dominada por psicanálises, e que os diretores encorajavam pesquisas. O maior pupilo e protegido de Beck foi John Rush que se tornou professor de psiquiatria em Dallas
Aron Beck conseguiu mais apoio da psicologia do que da psiquiatria. Seus maiores oponentes, ironicamente, eram os comportamentais clássicos que tinham dificuldade em aceitar o modelo cognitivo. Terapia comportamental estava sendo já ha. longo tempo o nicho favorito para psicólogos clínicos.

Terapia Comportamental é baseada na teoria do aprendizado, particularmente, no clássico trabalho de Pavlov e B.F. Skinner. Seus métodos clínicos geralmente consistem em técnicas para reduzir a ansiedade, enquanto expondo os clientes ao estimulo temido. Hans Eysenck (1916-97), conhecido psicólogo inglês, acreditava que terapia comportamental era efetiva para quase todo tipo de sintoma psicológico. Eysenck, que criticava a psicoterapia dizendo que ela não era mais efetiva do que a recuperação natural, passou o resto de sua carreira promovendo a terapia comportamental e sua eficácia.

Poucos psiquiatras aderiram ao campo comportamental, mas Alguns psiquiatras trabalharam na área comportamental, incluindo a notável figura de Joseph Wolpe (1915-97) , um pesquisador da parte Sul da África, cujos trabalhos foram desenvolvidos na Philadelphia. No entanto, e por muito tempo, a terapia comportamental foi o substrato e o subsidio para os estudantes da psicologia clinica. Hoje em dia, as restrições da Terapia Comportamental parecem historicamente tão anacrônicas quanto às versões iniciais da Psicanálise de Freud.

Psiquiatras, cujas especialidades dependiam de sua habilidade de acessar o funcionamento mental, nunca a colocaram de forma atrativa. Mas enquanto a psicologia seguia no caminho para desenvolver a teoria cognitiva da mente, o modelo clássico comportamental foi gradualmente sendo substituído pelo método hibrido das Terapias Cognitiva e Comportamental, criado por Beck. Um autor sugeriu que Terapia Cognitiva e Comportamental, cuja característica se foca em estruturas mentais, pode ser considerada a “revisão da psicanálise.”

Psicólogos, particularmente aqueles com pós-graduação, são treinados a terem mais respeito por pesquisa do que médicos. Na medida em que as descobertas empíricas de Beck foram aceitas e publicadas dentro da psicologia, as pesquisas na área da TCCs também passaram a ter maior aceitação. Somente mais tarde, com a medicina e a psiquiatria se tornando mais baseadas em evidencias, os estudos em TCCs começaram a aparecer em jornais famosos de psiquiatria. Residentes agora aprendem o método, se não o recebem, exigem por ele.

Segundo ainda Dr. Beck, a psicanálise contemporânea mudou, levando em conta mais a realidade ao invés de se focar exclusivamente em fenômenos intra-psíquicos. Suas analises ainda contrariam psiquiatras, por causa de seu humanismo, mas suas bases se tornam cada vez mais finas. Beck acredita que no futuro, existirá só uma forma de psicoterapia, com algumas variações de “boutique”, e este tratamento modelo que surgirá provavelmente irá incorporar algumas das principais idéias das Terapias Cognitivo e Comportamental.


Neurose de Angustia, do Medo ou Síndrome do Pânico
Fonte: Quintiliano H. de Mesquita, Cardiologista

O homem na era moderna é submetido a estímulos contínuos que ativam os seus sentidos e o atingem através dos diversos meios de comunicação, produzindo em sua Memória e seu Subconsciente o acúmulo de subsídios que podem até desenvolver reações físicas e mentais, inconscientes e subjetivas, que chegam a afetar sua segurança e bem estar; gerando episódicas e injustificáveis crises nervosas dominadas por sensações de angustia, medo ou pânico que transformam e agridem o seu ritmo de vida, demolindo seu psiquismo, confundindo sua mente e sem causa aparente.

Em tais condições, a auto-analise não lhe tem fornecido uma explicação exata quanto ao aparecimento espontâneo dessas sensações estranhas, que se repetem sem motivo aparente e podem até ser provocadas pela simples lembrança do desconfortante acometimento, passando então a atormentá-lo e confundi-lo ainda mais.

O portador de tão desagradáveis episódios, aparentemente inexplicáveis por seu aparecimento repentino e ilógico, é levado a procurar um médico e a submeter-se a um check-up, que quase sempre resulta numa resposta de absoluta normalidade física e mental, o que vem tranqüilizá-lo quanto ao reconhecimento de sua integridade, mas que também serve para confundir ainda mais a sua mente porque, apesar disso tudo, as angustiantes e assustadoras crises continuam a surpreendê-lo e a abater o seu moral.

Confuso com sua própria insegurança e a despeito de sua reconhecida normalidade física, o paciente sente-se acovardado diante de tão misteriosos acontecimentos que momentaneamente o arrasam física e mentalmente. Entretanto, nos intervalos de tais crises, quando tudo volta ao normal, procura sempre ocultar seu padecimento, não desejando confessar a ninguém sobre sua atribulada condição, pelo simples motivo de não querer ser tomado por medroso, deprimido ou neurótico e para não ferir seu amor próprio.

Assim, ele vai convivendo com seu padecimento aparentemente físico, sob o impacto de deplorável sofrimento moral que o vai inferiorizando, através da angustiante repetição de tais crises que o apavoram, levando-o ao desespero e pânico pelo medo de morrer numa dessas crises.

Ele passa a registrar cada nova crise como uma sensação de algo indefinível, que o domina e envolve sua mente, parecendo-lhe evoluir como uma onda de incapacitação e generalizado mal estar, a que ele próprio assiste e participando chega a admitir como sensação de morte próxima. Entretanto, também de repente, para surpresa sua aquela onda de desespero e angustiante sensação vai se dissipando e ele volta à normalidade, com a agradável sensação de desafogo e alivio por mais um final feliz, apesar da dúvida sobre o futuro próximo.

No momento do desenvolvimento da crise, o seu portador é impelido na direção de sua maior segurança – domicilio e seio da família – porque se algo de mais grave lhe acontecer ele estará em casa e amparado por todos. Muitos fogem do ambiente de trabalho, da rua, do cinema, do teatro, do barbeiro, do engraxate, deixando o carro no estacionamento e fogem de táxi para casa que é o lugar seguro e próprio para morrer!

De repente tudo passa, retorna às atividades interrompidas e com a sensação de que tudo ficou sob controle; mas permanece temendo sempre nova e imprevisível crise desencadeada pelo inimigo invisível; guardando no seu íntimo a sensação frustrante de sua insegurança pelo inesperado retorno desses decepcionantes acometimentos, que se mostram inexplicáveis e misteriosos.
Perguntando-se, no íntimo estado de sua desconfortável sobrevivência, sobre as caprichosas e repetitivas crises que tanto o amedrontam; e, principalmente, sobre as razões de tamanho sofrimento, resolve então procurar o médico especialista para a cura do seu mal; obtendo assim o diagnóstico modernamente designado como a “síndrome do pânico” e passando então a ser submetido ao tratamento medicamentoso e psicoterápico.

Assim, o angustiado e amedrontado portador da síndrome do pânico passa para uma nova fase, em que procura lutar contra o mal que o aflige e domina completamente a sua mente, chegando a perturbar todos os seus planos presentes e futuros.

Interpretamos a neurose de angustia, do medo ou a síndrome do pânico como uma condição clínica cujo tratamento não depende de medicamentos, mas exclusivamente da exercitação do poder da mente pelo próprio paciente que deve enfrentá-la, lutando corajosamente para livrar-se de tais acometimentos físicos e mentais; ao invés de empreender as habituais fugas, estratégicas mas covardes, que só servem para fortalecer e aumentar ainda mais a intensidade e freqüência de tais manifestações neuróticas, que repercutem tão desastrosa e negativamente sobre o seu psiquismo, prolongando assim o seu sofrimento.

Em nossas conjecturas, acreditamos que a neurose de angustia, medo ou síndrome do pânico representa um litígio entre o Consciente bem ajustado a um corpo são e o seu Subconsciente dominado por insegurança e incertezas, responsável pelo desencadeamento de subjetivas sensações que anulam momentaneamente sua personalidade; através de assustadora sintomatologia e da incapacidade de avaliação do próprio estado físico e mental, envolvidas sempre pelo pavoroso receio de morte
iminente.
Entretanto, em nossa experiência, temos observado que o enfrentamento corajoso levado a efeito pelo paciente durante cada crise, sem a fuga do portador para o lugar seguro, passa a representar uma vitória parcial que lhe será creditada como reforço de sua autoconfiança e contribuirá decisivamente para a cura definitiva.

Assim, como conseqüência natural, as crises vindouras vão se tornando cada vez mais fracas, mais rápidas e com intervalos maiores; até que, surpreendentemente, dentro de mais algum tempo, atingirá de fato um final feliz, com o registro do desaparecimento da neurose de angustia, do medo ou síndrome do pânico definitivamente vencida, e que passará a constar apenas do passado de um vencedor pelo emprego do poder da mente!

Para nós, a cura representa o restabelecimento do equilíbrio harmônico entre o Consciente e o Subconsciente, através da utilização do poder da mente sobre as misteriosas investidas degradantes da individualidade, geradas no Subconsciente por mecanismos até agora desconhecidos.

O cardiologista desde muito cedo, habitua-se a conviver com o cliente que se apresentando para uma simples avaliação cardiológica, mostra-se emocionado e temeroso por causa do veredicto final que é seguido sempre por grande euforia quando o resultado lhe é favorável ou, ao contrário, torna-se visivelmente infelicitado e inferiorizado quando toma conhecimento de ser portador de alguma afecção cardíaca.

Tal estado reflete o universal e dominante preconceito de que a afecção cardíaca corresponde a sobrevida encurtada e futuro incerto; exigindo logo, da parte do cardiologista, o necessário esclarecimento sobre o presente e o futuro de cada caso; e, acima de tudo, o máximo respeito ao psiquismo e à mente do novo paciente, condicionando-o assim a uma convivência pacífica, útil e produtiva com sua afecção cardíaca e em seu próprio beneficio.

O cardiologista, ao longo do tempo, fica convencido de que deve se esmerar sempre em cuidar mais da cabeça do que propriamente do coração do seu paciente; uma vez que aquela depende muito da postura do médico como guia e conselheiro, por palavras e exemplos fornecidos em sua permanente pregação; enquanto o coração é conduzido sob cuidados e medicação apropriadamente administrados.

A neurose cardíaca, baseada na angustia, no medo ou no pânico foi sempre atribuída por nós como falha do seu médico assistente, que muitas vezes atua como o agente neurotizante. Isso acontece pela falta de respeito e sustentação à mente do paciente carente e desinformado ou por desnecessário excesso de zelo, representado por repetidos e pré-datados retornos à consulta, recheada com incompletas e temerosas informações, além de severas recomendações sobre a evolução da afecção em tela.

Tal conduta espelha quase sempre a incerteza e insegurança do médico assistente, transmitidas através de informações desnecessárias que são assimiladas pelo paciente sob a forma de sérios riscos que, agredindo seu psiquismo, confundem sua mente e transformam o sentido de sua vida pelo desencadeamento de angustia, medo e até pânico!

Reconhecida a neurose cardíaca, o tratamento a ser dispensado também não é medicamentoso, mas tão somente representado pelo emprego de metodologia que deve ser orientada no sentido de sua reassegurança, frente às condições de sua afecção; demonstrando-se com propriedade que a evolução do processo vigente, sob os cuidados habituais, pode se desenvolver sem complicações; representando, em última análise, a necessária reeducação do paciente, tendo como objetivo a restauração da autoconfiança e consecução de uma sobrevida útil, tranqüila e produtiva.

Dessa maneira, o paciente receberá também, ao lado das informações sobre a parte física do seu estado, a sustentação importante e necessária ao seu psiquismo com o reforço concomitante à sua mente; o que lhe servirá para a recomposição do equilíbrio entre o psíquico e o somático e finalmente para readquirir a tranqüilidade de uma vida cuidadosa e sem tropeços, com conhecimento de causa e efeitos e emoldurada com bons pensamentos, muito necessários a uma longa sobrevida.

A neurose cardíaca parece-nos desenvolvida em conseqüência da sobrecarga que se opera no seu Consciente, tendo de um lado sua realidade orgânica diagnosticada e do outro lado o preconceito universal degradante e avassalador que inferiorizam o paciente e que, invadindo e dominando também o seu Subconsciente, passam a atuar em conjunto como responsáveis pelas sensações de angustia, medo, pânico e até de morte próxima que tanto infelicitam a sua sobrevida.

O tratamento deve ser baseado em uma assistência de caráter pedagógico, ilustrando-se e enriquecendo-se a mente do paciente com valiosas e seguras informações sobre a sua condição física, fortalecendo o seu psiquismo e contribuindo assim para a cura, através do emprego do poder da mente em beneficio próprio.

Em muitos casos, a simples transferência de comando do próprio Consciente para um médico especialista, como depositário da confiança absoluta, pode gerar milagres até com o emprego do placebo e resultar na fácil restauração da autoconfiança e desarmamento do inimigo invisível. Também a realização de uma cirurgia tida como salvadora, pode chegar à cura pelo reforço absoluto e excepcional do Consciente e salutar reflexo sobre o Subconsciente, operando-se assim o retorno à normalidade.

Do ponto de vista do portador da neurose de angustia, medo ou síndrome do pânico é a mesma interpretada como o inimigo invisível cujo ataque é imprevisível e surge como uma onda envolvente que se inicia pelo abdome e se estende ao tórax com a respiração que parece ficar opressa mas é notada livre; com o registro de entorpecimento irresistível que domina a mente através da sensação de uma onda crescente que parece indicar morte próxima, mas com o estado de consciência dos fatos em redor dominado pelo pavor que assim atinge o clímax e logo depois, sem nada acontecer, começa a dissipar-se pouco a pouco até chegar ao momento da feliz sensação de alívio absoluto e nova disposição para retomada de tudo.

Alguns pacientes comparam a crise com um episodio doméstico muito corriqueiro e objetivo: assemelha-se ao que ocorre com uma leiteira colocada ao fogo, cujo conteúdo vai-se aquecendo e ao tornar-se fervente, sobe depressa, ameaçando transbordar e sujar tudo, mas que retirada do fogo, mostra o brusco retorno do leite a seu nível inicial e não acontece o pior.

Nossas recomendações a quem tem medo de morrer fora de casa e quer se curar do mal que tanto o infelicita moral e fisicamente, são as seguintes:

. Portar documento de identidade com endereço, telefone e nome de familiar responsável
. Não fugir do local em que surgir a crise (local do trabalho, rua, cinema, teatro, barbeiro, engraxate, etc.)
. Permanecer sentado, colarinho e cinturão afrouxados
. Reagir mentalmente com pensamentos e palavras de ordem dirigidos para si próprio, tais como:


Fique calmo!
Coragem e fé em Deus!
Vai passar!
Não tenho doença!
Não há nada a temer!
Está passando!
Estou bem!
Isso é nervosismo!
Coragem que vai terminar bem!
Respire normalmente!
Coração bate bem!
Pulso bom!
Não tenha medo que vai terminar logo!
Não vai acontecer nada!
Vai acabar bem!
Vou vencer mais esta!
Está tudo sob controle!
Eu sou forte!
Vai acabar logo e tudo bem!

Assim, o paciente deve procurar restabelecer a sua autoconfiança através da indução de incisivas e otimistas mensagens, condicionantes do auto-convencimento sobre o estado normal da própria saúde e tão necessárias para o reequilíbrio do Consciente e desmobilização do Subconsciente, que proporcionarão finalmente a cessação de todas suas perturbadoras e angustiantes crises e o retorno à normalidade com a vitória definitiva sobre o inimigo invisível, gerado pelo Subconsciente que chega a surpreender o Consciente em Corpo São e portanto imaginário e irreal que deve ser dominado e vencido pelo Poder da Mente!


Dicas para quem sofre de transtorno bipolar

O que posso fazer para manter o bem-estar?
• Durma o suficiente. O sono é um dos elementos mais importantes para se manter o transtorno bipolar sob controle.
Faça refeições nutritivas, se esforce para reduzir o nível de "estresse" e faça exercícios regularmente.
• Procure apoio social. Se quiser, você pode contar para as pessoas de sua confiança sobre a doença para que possam saber quando e como ajudar. Às vezes estas pessoas próximas podem
detectar os sintomas antes de você e assim ajudá-lo a buscar ajuda o quanto antes. Tente participar de grupos da Auto Ajuda.
• Não consuma álcool e drogas ilegais.
• Faça um diário para avaliar o seu humor, medicação e ocorrências diárias. Isto pode ajudar a perceber episódios de euforia ou depressão antes destes se tornarem severos.
• Caso você tenha pensamentos suicidas avise um médico, familiar ou grupo de apoio imediatamente. Pensamentos suicidas são sintomas temporários de sua doença que podem
desaparecer com o tratamento correto.
• Caso você esteja planejando um tratamento dentário, cirurgia ou vá para o Pronto-Socorro, avise seu médico ou dentista sobre a sua medicação.
• Lembre-se que o transtorno bipolar não define quem você é. Você é um indivíduo que pode administrar a sua doença, monitorar seu tratamento e se sentir melhor.
• Mantenha-se informado sobre o transtorno bipolar. Acredite em sua capacidade de recuperação mesmo quando estiver se sentindo frustrado.

Dicas para dormir melhor

• Evite bebidas alcoólicas.
• Evite fumar.
• Evite bebidas com cafeína (café, refrigerantes, chá preto, chimarrão, achocolatados)
   após às 15:00 horas.
• Evite exercícios físicos em horário próximo ao de deitar.
• Evite remédios para dormir sem ter uma prescrição médica.
• Evite dormir com fome ou sede.
• À noite, faça refeições leves.
• Mantenha horários regulares para deitar e levantar.
• Procure um ambiente para dormir sem luminosidade, ruído ou temperaturas desagradáveis.
• Vá para a cama com sono e saia da cama se estiver sem sono.
• Use a cama apenas para sono e sexo (não leia, estude, coma, etc). Deixe as preocupações longe da cama.


PREOCUPAÇÃO: ONDE ELA PODE ME LEVAR ?

“Os preocupados vivem entorpecidos no hoje por quererem controlar, com seus pensamentos e com sua imaginação, os fatos do amanhã.”

Nossa percepção, hoje, nos esclarece sobre os fatos do ontem, talvez sobre acontecimentos da semana anterior ou, possivelmente, sobre eventos quase esquecidos de anos passados.

Tudo ocorre dentro de um perfeito sincronismo tempo/espaço. Não adianta nos preocupar-nos com o nosso processo de aprendizado nem com o dos outros, pois, se alguém não está conseguindo caminhar convenientemente agora, é porque lhe falta algo a fazer, ou mesmo, coisas a aprender. No Universo tudo obedece a um ritmo natural; as raízes de nossa evolução corporal/espiritual estão arraigadas nas íntimas relações com a Natureza. Em nível mais profundo, somos parte dela.

No entanto, é importante não confundirmos preocupação com prudência ou cautela. A previdência e o planejamento, para que possamos atingir um futuro promissor, são desejos naturais do homem de bom senso.

Na realidade, preocupação quer dizer aflição e imobilização do presente, por causa de um suposto fato que poderá acontecer, ou ainda uma suspeita de que uma decisão poderá causar ruína ou perda.

A preocupação excessiva com os fatos em geral e com o bem-estar das pessoas, está alicerçada, em muitas ocasiões, em um mecanismo psicológico chamado “auto-distração”.

As pessoas preocupadas têm dificuldade de concentração no momento presente e, por isso, fazem com que a consciência se desvie do foco da experiência para a periferia, isto é, vivem entorpecidos no hoje, por quererem controlar, com seus pensamentos e imaginação, os fatos do amanhã.

Esse desvio de atenção é uma busca deliberada de distração do indivíduo; é uma forma de impedir a si próprio de ver o que precisa perceber em seu mundo interno.

Quando dizemos que nos preocupamos com os outros, quase sempre estamos nos abstraindo:

a) das atitudes que não temos coragem de tomar;

b) das responsabilidades que não queremos assumir;

c) das carências afetivas que negamos a nós mesmos;

d) dos atos incoerentes que praticamos e não admitimos;

e) dos bloqueios mentais que possuímos e não aceitamos.

Deslocamos todos os nossos esforços, atenção e potencialidades para socorrer, proteger, salvar, convencer e aconselhar nossos “companheiros de viagem”, esquecendo muitas vezes, propositadamente ou não, que a nossa primeira e mais importante tarefa é nossa transformação interior.

É incontestável que a preocupação jamais nos preservará das angústias do amanhã; apenas colocará obstáculos às nossas realizações do presente.

Não podemos nem devemos forçar mudanças de atitudes nas pessoas. Em realidade, só podemos modificar a nós mesmos. Nosso livre-arbítrio nos confere possibilidades de uso particular com o fim específico de nos retificar, porém não nos dá o direito de querer modificar os outros.

Acreditamos, ainda assim, que temos o poder de exigir que os outros pensem como nós e que podemos interferir nas manifestações daqueles que nos cercam. Por mais queridos que nos sejam, não é lícito dissuadi-los de suas decisões e posturas de vida.

Cada um se expressa perante a existência, como pode. Assim, suas criações, desejos, metas e objetivos são coerentes com seu grau de evolução. Qualquer tipo de coação em um modo de ser, é profundo desrespeito.

Por que condenar os atos e as atitudes de alguém que o próprio “Criador do Universo” deixou livre para decidir? Por que sofrer ou preocupar-se com isso? Nossas experiências da vida não acontecem por acaso. O planejamento divino nada faz sem um desígnio proveitoso; tudo tem sua razão de ser. Não é preciso desespero nem preocupação; tudo acontece como tem que acontecer.

 


A REALIDADE DA DEPRESSÃO PÓS-PARTO

Tereza Melo Sousa - Psicóloga e Psicoterapeuta
No plano ideal, a maternidade é uma condição sublime, de perpetuação da espécie, de realização pessoal e de desenvolvimento dos laços afetivos. Mas esse é o ideal, o que não quer dizer que seja regra geral, principalmente quando se têm dados estatísticos segundo os quais cerca de 15% das mulheres são acometidas da depressão pós-parto (DPP). "Trata-se de um quadro clínico severo e agudo que pode começar na primeira semana após o parto e perdurar até dois anos", explica a psicóloga e psicoterapeuta Vera Iaconelli, mestre em Psicologia pela Universidade de São Paulo (USP)

Incapacidade de cuidar e desinteresse pelo bebê são apenas dois dos sintomas da DPP que prejudicam não apenas a mãe, mas também o filho. Por conta da pressão social segundo a qual a mulher deveria estar com um sorriso nos lábios e "lambendo a cria" depois do parto, muitas mães relutam em admitir para a família ou mesmo para o pai da criança que estão precisando de ajuda. Isso dificulta o diagnóstico precoce e, em conseqüência, o tratamento do problema.
Alguns fatores de risco demonstram correlação com a DPP: mulheres que sofrem de tensão pré-menstrual (TPM), sintomas depressivos durante a gestação, histórico de transtornos afetivos, primeira gestação, carência social e dificuldades na gestação são alguns dos que estão em estudo.

"O acompanhamento do período que engloba gravidez, parto e pós-parto é uma forma de evitar, atenuar ou reduzir a duração da DDP", diz Vera Iaconelli, ressaltando a importância do diagnóstico precoce.
Além dos visíveis problemas para a saúde da mãe, a depressão pós-parto é fator de risco para a saúde mental do bebê e, portanto, requer a atenção de médicos, pacientes e familiares.

Pressões sociais podem levar a mãe a omitir os sintomas
Irritabilidade, mudanças bruscas de humor, indisposição, tristeza profunda, doenças psicossomáticas, desinteresse pelas atividades cotidianas, sensação de incapacidade de cuidar somado a desinteresse pelo bebê. Esses são os principais sintomas da depressão pós-parto. Em casos extremos, a mãe pode chegar a ter pensamento suicidas ou mesmo homicidas em relação ao bebê.
"Para os outros, a mulher deveria estar radiante pelo nascimento do filho. Ela, no entanto, se sente culpada e aparenta ingratidão", diz a psicóloga Vera Iaconelli, remetendo-se a casos em que as pressões sociais fazem com que algumas mulheres optem por omitir os sintomas da DDP.

Apoio familiar é fundamental no tratamento
Diversos fatores englobam um quadro de depressão pós-parto e interferem no tratamento: ginecológico, psiquiátrico e psicológico. Além desses aspectos clínicos, não se pode deixar de lado o cunho social do problema.
"Uma das alternativas para a gestante e a nova mãe são os grupos terapêuticos, nos quais elas podem partilhar o seu sofrimento com outras mulheres em igual situação e sob orientação de um profissional, que pode recomendar atendimento psicológico individual, caso necessite", diz a psicoterapeuta Vera Iaconelli.
Para a família ou pessoas próximas à mãe depressiva, a compreensão é chave no tratamento. Segundo a psicoterapeuta, "é importante que as pessoas que lidam com a mãe sejam esclarecidas sobre a natureza desse estado. Dessa forma, poderão dar a ela o apoio necessário".
Segundo a psicóloga de família Gilda Monteiro, "a mulher se sente solitária durante a gravidez e no pós-parto. Como o distúrbio faz parte do sistema familiar, deve ser tratado em terapia conjunta com o marido e com acompanhamento ginecológico".
Alguns casos requerem o uso de medicação. Os antidepressivos são indicados quando o quadro de depressão pós-parto compromete a função e o bem-estar da mãe. Como existem no mercado medicamentos que não são maléficos ao leite materno, podem ser tomados mesmo durante o período de amamentação.

Cabe ao médico pesar os prós e contras e avaliar os fatores de risco na hora de optar pelo uso de antidepressivos, psicoterapia e/ou terapia de grupo.

Quando a mãe maltrata
"Se o bebê morreu, não há problema; tem-se outro". A frase que hoje soaria como uma estupidez era recorrente até meados do século 18, quando a infância não era valorizada e sequer se sabia definir o que eram aqueles seres pequenos e sem condições de se manter sozinhos. Até esse período, eram chamados de adultos pequenos e ainda não havia uma divisão entre infância, adolescência e fase adulta. A francesa Elizabeth Badinter, em seu livro "Um Amor conquistado", explica que a frieza e indiferença do pai e principalmente da mãe em relação aos seus filhos eram, na verdade, uma espécie de couraça sentimental, onde estariam seguros de qualquer sofrimento causado pela perda de uma criança com tantas possibilidades de morrer antes de um ano.

Os laços sentimentais entre mãe e filho mudaram. Os dois se tornaram mais unidos a partir do momento em que se reconhece que a criança precisa de cuidados especiais e a maternidade passa a ter maior relevância. Mas o descaso e, o que é pior, a violência de pais contra suas crianças ainda chamam atenção pela dificuldade de se compreender os motivos de se cometer tal ato. Para a psicóloga Roberta Cavalcante, "na forma de se relacionar com o filho, você repete o que viveu na relação com sua mãe. Quando se tem uma relação mal desenvolvida com a mãe, provavelmente levará inconscientemente para a relação com o filho".

O estado de depressão pós-parto é uma causa freqüente de agressões maternas aos filhos e pode acometer a mulher até algumas semanas após o nascimento do bebê. Segundo o ginecologista Wagner Gonzaga, o distúrbio pode ser classificado em três tipos, por grau de severidade: a tristeza materna, a depressão pós-parto em si e a psicose puerperal. A psicóloga de família Gilda Monteiro alerta que "quando a depressão pós-parto é diagnosticada, outras pessoas devem ser mobilizadas para cuidar da criança e da mãe". Na avaliação dela, "a melhor maneira de se prevenir é ter alguém com quem conversar durante a gravidez, mesmo que seja um serviço de psicologia".

"Quando a violência ocorre fora de uma situação de psicose ou depressão pós-parto é porque a mulher foi maltratada, negligenciada, abandonada ou rejeitada durante a infância", explica a psicóloga Gilda Monteiro. "Quando há a morte da criança, geralmente foi por espancamento. Quanto mais a criança chora, mais apanha", acrescenta.

A psicanalista Regina Alcântara considera que no nascimento de uma criança exista uma ambivalência muito grande em relação à vida e à morte. "Enquanto o bebê nasce, fica na mulher a placenta morta. As experiências de separação do filho do corpo da mulher são experiências de morte". Além disso "as identidades, tanto da mãe, como dos familiares, no pós-parto ficam desordenadas. Se é o primeiro filho, o pai não é mais só o marido, o profissional, o filho", completa. Para ela, essa é uma fase difícil, que pode desencadear um provável distúrbio.

O aborto e o abandono podem ser considerados sérias formas de violência contra um filho. Ilegal na maior parte dos países, o aborto ainda continua sendo objeto de uma discussão moral que questiona até que ponto a mulher tem direito sobre a sua vida e a da criança que carrega. No Brasil, o aborto forçado, aquele feito por escolha da gestante, prevê pena de um a três anos de prisão para ela. Já para mães que abandonam um filho, a pena vai de seis meses a três anos; se resultar em lesão, a reclusão vai de um a cinco anos; e em caso de morte, vai de quatro a 12 anos.



 


CUIDANDO DO CORPO E DA MENTE

Tradução Lilian Prado Mendonça
Ken Duckworth – Departamento de Saúde Mental Massachusetts

Um dos momentos mais marcantes de minha carreira como psiquiatra aconteceu quando uma adorável mulher, de quem eu estava tratando de esquizofrenia, disse para mim: “O que há com vocês psiquiatras? Não posso ter uma mente e um corpo?”. Ela estava se referindo aos efeitos colaterais que estava experimentando devido à medicação. Isto serviu para me despertar. Sua doença estava sendo tratada com eficácia, mas estava ganhando peso, preocupando-se com as convulsões e mudanças na contagem das células do sangue, e se sentindo sedada o tempo todo.  Resumindo, sua mente estava boa, mas seu corpo estava lutando. 

Então iniciei minha jornada tentando me tornar um médico mais completo. Hoje, sei que tenho a obrigação profissional de considerar a pessoa como um todo, e não apenas seus sintomas psiquiátricos. 

Nem todos que fazem uso de medicamentos estão prontos para lidar com problemas físicos de saúde.  Pessoas no período inicial de recuperação têm muitos outros desafios. Como eu, muitos profissionais que conheci viam uma boa saúde física como um objetivo irreal para pessoas com problemas mentais sérios.  Mas em minha experiência, quase todos querem uma boa saúde.  Então, como começamos a apoiar uns aos outros nesta missão? 

Nossos tratamentos afetam altamente o estilo e saúde dos pacientes. Um exemplo é a obesidade. O responsável pelo Departamento de Saúde dos EUA, declarou a obesidade como sendo uma epidemia nacional, e sabemos que muitos medicamentos psiquiátricos contribuem para isto. E ainda, o psiquiatra não está sendo produtivo em ajudar as pessoas a minimizar este efeito colateral.

Boas informações podem ajudar a criar um caminho. Em Massachusetts, fizemos um estudo sobre causas de morte em pessoas com doenças mentais sérias. Concluímos que o risco de morte relacionada à área cardiovascular era muito maior – variando do dobro até quase seis vezes maior, dependendo da idade - para pessoas com doenças psiquiátricas em Massachusetts durante 1998-1999. Além disto, as proteções naturais do corpo, que se pensava que as mulheres tinham contra a doença cardiovascular, não ficaram evidentes na pesquisa – descobrimos que a taxa foi à mesma dos homens. 

A seguir estão alguns dos riscos de saúde maiores para usuários, e nossa sugestão para solucionar estes problemas.

FUMAR
Estudos mostram que fumar é uma forma de automedicação. Funciona como antipsicótico e antidepressivo moderado. Pessoas com doenças mentais tendem a fumar mais, fumam mais cigarros durante o dia, e inalam mais profundamente. Na clinica de Boston, 80% dos indivíduos fumam, comparando com menos de 20% em todo Estado. No entanto, não estamos interessados em um “modelo de controle” para parar de fumar, mas em um que reduza os riscos. Podemos ajudar as pessoas a diminuírem a quantidade? Como isto afetará seus sintomas? Estamos levantando fundos para uma pesquisa em Massachusetts para descobrir como ajudar pessoas com esquizofrenia a reduzir o hábito de fumar.
 

OBESIDADE
Muitos medicamentos psiquiátricos novos causam o ganho de peso, apesar de ninguém saber como. Uma teoria famosa é que para estas pessoas que tomam estes medicamentos, falta a sensação de completude ou satisfação (estar cheio) – o sinal para parar de comer – então elas continuam comendo. Os pacientes deveriam saber deste possível efeito colateral antes de iniciar qualquer medicamento, e deveriam receber ajuda para lidar com isto.

Prevenir o ganho de peso é mais fácil do que emagrecer. Será que podemos oferecer um apoio sobre dieta, apoio de grupos de caminhada, e talvez até mesmo uma balança para as pessoas que estão iniciando tratamento com o medicamento? Uma vez que o ganho de peso ocorre, as pessoas param de tomar o medicamento. Existem intervenções médicas para o ganho de peso, mas o estilo de vida é ainda a chave de tudo.

DIABETES
Pessoas com doenças mentais sérias correm o risco de desenvolver diabetes. A diabete do tipo II, também conhecida como o inicio da diabete em adultos, é causada comumente pelo ganho de peso. A diabete abre caminhos para inúmeras complicações de saúde, particularmente se o nível do açúcar não estiver bem controlado. Pessoas que vivem em nosso sistema residencial em Massachusetts possuem duas vezes mais a ocorrência de diabetes do que pessoas da mesma idade. A diabete é uma condição tratável, mas o diagnóstico geralmente é adiado durante anos.  Sintomas comuns incluem urinar freqüentemente e fadiga. 
 

SOLUÇÕES
Quais são as soluções para estes problemas? A caminhada é o que ajuda a diminuir o risco de doenças cardíacas. Um bom par de tênis para caminhada pode ser tão eficaz quanto a mais nova tecnologia de medicamento. Ter um companheiro de caminhada lhe dá um sistema de apoio natural e é muito útil para muitas pessoas.

A boa noticia é que as pessoas estão freqüentando mais academias – este fato constitui e demonstra ser um movimento pela saúde.  O problema cardíaco é um problema nacional, e as pessoas que amamos que têm doenças psiquiátricas, correm um risco maior. 

Grupos de caminhada, grupos para reduzir o hábito de fumar, e o acesso a informações nutricionais são bons sistemas de apoio. Fazer um check-up anual com seu médico pode ajudar a identificar níveis de colesterol e triglicérios, risco de diabetes, pressão arterial e excesso de peso, com o objetivo de determinar se o paciente precisa de medicamentos mais fortes.

Gostaria de ver melhores estudos e tratamentos de doenças cardíacas, e gostaria de entender algumas razões para o indício alarmante de mortes com problemas cardíacos para pacientes atendidos no Departamento de Saúde Mental de Massachusetts. Apesar de que muitas áreas de pesquisa mereçam nosso apoio, o possível papel dos medicamentos nas mortes cardíacas merece um questionamento maior.  Precisamos descobrir também por que as mulheres usando medicamentos psiquiátricos parecem perder sua proteção natural contra doenças cardíacas. Finalmente, gostaria de ver mais capital aplicado objetivando alcançar um melhor entendimento do que deve ser mudado no estilo de vida de pessoas com doenças mentais sérias, para que intervenções possam ser feitas. 

Juntamente ao NAMI - Conselho do Usuário, o Departamento de Saúde Mental de Massachusetts desenvolverá um currículo para pacientes e membros da família interessados, visando demonstrar que houve uma redução de risco em suas vidas, delinear os perigos dos medicamentos que levam a muitas doenças psiquiátricas, e oferecer estratégias para lidar com elas.  Estou satisfeito em fazer esta parceria urgente e importante com o NAMI.  As doenças mentais desafiam e esticam nossos corações de maneira metafórica – deixa-nos usar nossa advocacia e paixão para aumentar a consciência sobre a questão das doenças cardíacas.       

 


A DEPRESSÃO BIPOLAR E SEU CICLO RÁPIDO
AS ÚLTIMAS
ESTRATÉGIAS
FARMACOLÓGICAS

Fonte: The Brown University Child and Adolescent Psychopharmacology Update
Revisão
: Dr. Sérgio Hallack
Nível de entendimento:
Alto

Nossa capacidade para tratar e lidar com pacientes com transtorno bipolar – adequadamente ou inadequadamente – foi o foco de atenção da reunião anual  da Associação Americana de Psiquiatria. As últimas informações estimaram a prevalência do transtorno bipolar para até 6.5%, com custos altos de medicamento de $476,000 por ano por paciente. Figuras assustadoras quando se soma o fato de que de 25-50% dos pacientes diagnosticados com o transtorno bipolar tentam cometer suicídio, e que quase 40% não são diagnosticados corretamente, os resultados pode ser ainda mais devastador para o paciente e sua família

O que houve de mais interessante no simpósio do transtorno bipolar:  “A Depressão Bipolar e Seu Ciclo Rápido: estratégias recentes de como lidar com o transtorno bipolar” – tentaram esclarecer algumas falhas dos tratamentos mais habituais, explorar as últimas abordagens e sobre como direcioná-las. Dr. Joseph Calabrese explica que o reconhecimento e tratamento do transtorno bipolar têm melhorado nos últimos anos. Porém, ele recomenda que os médicos participantes ajudem a eliminar a falta de diagnóstico e o diagnóstico incorreto de uma doença que tem um custo pessoal e econômico tão alto.

O médico Mark A. Frye, diretor do Programa de Pesquisa sobre o Transtorno Bipolar na UCLA, examinou as falhas mais de perto

“O Transtorno Bipolar passa freqüentemente desapercebido (não diagnosticado), a hipomania é geralmente ignorada, e a depressão bipolar é freqüentemente não diferenciada da depressão unipolar”, disse Frye. “Em uma pesquisa com 400 pacientes, 69% dos pacientes com transtorno bipolar não foram diagnosticados inicialmente, e o transtorno bipolar não foram diagnosticados inicialmente, e o transtorno bipolar foi mais comumente confundido com depressão, ansiedade ou esquizofrenia. Mais de 1/3 dos pacientes apresentavam sintomas de transtorno bipolar por pelo menos 10 anos antes de serem diagnosticados.”

Frye também disse que o tratamento existente do transtorno bipolar é inadequado. O tratamento do transtorno bipolar fase depressiva, como se fosse uma depressão unipolar, causa preocupação adicional, pois os antidepressivos podem desestabilizar a depressão bipolar e pode até desencadear mania e/ou uma ciclagem rápida em alguns pacientes.

O médico Joseph F. Goldberg, Diretor da Clínica de Pesquisa dos Transtornos Bipolar no Hospital Presbiteriano de Nova York e Professor Assistente da Universidade de Psiquiatria Cornell, considera o problema da estabilização medicamentosa do humor durante longos períodos. Ele apresentou informações sobre opções de tratamento usuais, variando de estabilizadores típicos do humor como o lítio (carbolitium e outros) e o ácido valpróico (Depakene, Depakote) que funcionam preferencialmente para ajudar nos episódios maníacos, hipomaníacos e mistos; e os novos antipsicóticos como alcanzepina (Ziprexa) atípicos. Ele também explorou as possibilidades oferecidas pelo novo estabilizador de humor como o Iamotrigine (Lamictal), que funcionam para ajudar episódios de depressão maior e sintomas de depressão subsindromal – um conceito relativamente novo.

“Os três objetivos da terapia com estabilizadores de humor é tratar a mania sem tratar a depressão, sem causá-la ou acentuá-la e ser efetiva na profilaxia das manias e depressões, disse Goldberg.  “Estou determinado a encontrar um agente que faça estas 3 coisas de maneira excelente”, ele adiciona. 

Goldberg se preocupou com a necessidade de conceitualizar os estabilizadores de humor como antidepressivos primários, e não apenas uma droga antimaníaca.  Ele também recomenda o uso de antidepressivos, quando necessário, para a depressão e o uso continuado dos antidepressivos, para preveni-la. 

“O lítio é o único agente aprovado para o tratamento a longo prazo para do transtorno bipolar, mas nos casos em que a depressão precede à mania, ele pode não funcionar tão bem”, disse Goldberg. “O lítio estabiliza a mania melhor do que a depressão”.
 As limitações da farmacologia no tratamento atual dos transtornos bipolares incluem:

  •   O desenvolvimento de drogas no transtorno bipolar têm se focalizado primariamente na mania.

  •   Nenhum tratamento é  especificamente indicado pelo FDA para a depressão bipolar.

  •   Pacientes bipolares geralmente retirados dos estudos de aplicações de antidepressivos para
      aprovação no FDA. (Food and Drugs Administration).

  •  Antidepressivos podem desestabilizar o transtorno bipolar (ou seja, induzir a mania ou à ciclagem rápida).

Informações sugerem que o lítio prevenirá ou atenuará a depressão melhor se estiver sido eficaz primeiramente na fase da mania, de acordo com Goldberg.  Mesmo que os resultados do ácido valpróico e carbamazepine (Tegretol) para a profilaxia da depressão tenham sido satifastorios, o maior entusiasmo tem sido gerado por estudos recentes com a lamotrigine para depressão bipolar e ciclagem rápida.  Informações recentes comparando Iamotrigine (LTG; N=69) e o lítio (Li; N=58) ao placebo (PBO; N=44) concluíram que as duas drogas foram superiores ao placebo na terapeutica da depressão (LTG versos PBO, P=0.047; Li versos PBO, P=0.209; LTG versos Li, P=0.434).  Nas duas pesquisas, o lítio foi superior ao lamotrigine e ao placebo na terapêutica dos episódios maníacos e de humor.

Goldberg também apresentou novas informações em fatores associados com a indução de mania por antidepressivos. Os resultados mostraram que os indicadores de mania induzida, incluíam o uso ou dependência de substâncias químicas e haviam utilizado vários antidepressivos, particularmente quando havia uma falta de resposta aos medicamentos anteriores.

O CICLO RÁPIDO

O médico Robert M. Post, apresentou novas informações de dois estudos quanto à eficácia de Lamotrigine para uma ciclagem rápida, e também o uso de uma terapia combinada para este grupo de pacientes. 

“Mesmo que a ciclagem rápida já tenha sido vista como uma apresentação rara do transtorno bipolar, informações recentes sugerem que este pode se apresentar em 30 a 50% dos pacientes”, disse Post. “Realmente temos que revisar nossas noções sobre o ciclo rápido;  é muito mais prevalente do que antigamente e até um quarto da amostra de um estudo recente se manteve doente três quartos do tempo”.

Os resultados clínicos no ciclador rápido geralmente são pobres e estes pacientes podem não responder ou responder apenas parcialmente ao lítio, de acordo com Post. O tratamento limitado aos agentes estabilizadores do humor habituais, geralmente melhora apenas a hipomania e a mania, mas não a fase da depressão, ele adiciona.

Novas substâncias para monoterapia ou para combinação com os estabilizadores típicos do humor podem ser capazes de tratar efetivamente os pacientes com ciclagem rápida.  Em 9 estudos diferentes, o lítio provou ter sido menos efetivo no cicladores rápidos do transtorno bipolar, e os episódios de ciclo rápido precedendo o início do lítio está associado com má resposta terapêutica. Similarmente, resultados não foram ótimos para o carbamazepine ou um tratamento combinado de carbamazepine/lítio para o ciclo rápido.

A eficácia do valproate têm sido um pouco melhor, disse Post, mas os resultados para a fase depressiva têm sido relativamente pobre.  “Em um estudo que compara o lítio e o valproate no ciclo rápido, não conseguimos mais do que 25% dos pacientes bem o suficiente para colocá-los no estudo – com nossas 2 melhores drogas!”, disse Post.

Sendo esta uma declaração terrível para nossa área de atuação, Post adicionou que a maioria dos pacientes apresentam recaídas com a monoterapia. Ele apresentou informações de 2 novos estudo de Bowden e Calabrese que foram mencionados acima para oferecer alguma esperança de que o lamotrigine possa ser efetivo no tratamento do ciclo rápido do transtorno bipolar I.  Um estudo anterior, mostrava que a droga é superior ao placebo somente para o ciclo rápido em pacientes no bipolar II.

“Lamotrigine parece ser melhor para o lado depressivo de um ciclo rápido e parece fazer isto sem qualquer sinal de indução de mania”, disse Post.

Ele também notou que o topiramate (Topamax) e quetiapine (Seroquel) parecem promissoras, mas é necessário mais informações.

“Somos deixados com muitas suposições destes pacientes e minha própria atuação é conseguir envolver o paciente a identificar suas variações de humor”, concluiu Post. “Na ausência de uma informação clínica aleatória, precisamos usar todos estes medicamentos da melhor maneira possível”.

 


Transtorno Obsessivo Compulsivo

Características Diagnósticas: A característica essencial do Transtorno da Personalidade Obsessivo-Compulsiva é uma preocupação com organização, perfeccionismo e controle mental e interpessoal, às custas da flexibilidade, abertura e eficiência. Este padrão começa no início da idade adulta e está presente em uma variedade de contextos.

Os indivíduos com Transtorno da Personalidade Obsessivo-Compulsiva tentam manter um sentimento de controle através de uma atenção extenuante a regras, detalhes triviais, procedimentos, listas, horários ou formalidades, chegando a perder o ponto mais importante da atividade (Critério 1). Eles são excessivamente cuidadosos e propensos à repetição, dando extraordinária atenção a detalhes e verificando repetidamente, em busca de possíveis erros.

Estas pessoas não percebem que os outros tendem a ficar muito aborrecidos com os atrasos e inconveniências que resultam de seu comportamento. Por exemplo, quando extraviam uma lista de coisas a fazer, passam um período de tempo incomum procurando-a, ao invés de dispenderem alguns momentos recriando-a de memória e seguirem com a realização das tarefas. O seu tempo é mal distribuído, sendo as tarefas mais importantes deixadas para a última hora.

O perfeccionismo e os altos padrões auto-impostos de desempenho causam disfunção e sofrimento significativos nesses indivíduos, que podem envolver-se tanto na tarefa de tornar cada detalhe de um projeto absolutamente perfeito, a ponto de jamais terminá-lo (Critério 2). Por exemplo, a redação de um relatório é atrasada por numerosas revisões demoradas que jamais estão "perfeitas". Prazos são perdidos, e os aspectos da vida do indivíduo que não são o foco de atividade atual podem ser deixados de lado.

Os indivíduos com Transtorno da Personalidade Obsessivo-Compulsiva demonstram excessiva dedicação ao trabalho e à produtividade, chegando à exclusão de atividades de lazer e amizades (Critério 3). Este comportamento não é explicado por necessidades econômicas. Eles freqüentemente julgam que não têm tempo para tirar uma noite ou um fim-de-semana de folga para sair ou simplesmente relaxar. Eles podem adiar indefinidamente uma atividade recreativa, como as férias, de modo que esta pode jamais ocorrer. Quando chegam a fazê-lo, sentem muito desconforto, a menos que tenham levado consigo algo em que trabalhar, de modo a não "perderem tempo". Pode haver muita concentração em tarefas domésticas (por ex., limpeza excessiva e repetida, de modo que "se poderia comer do chão"). Quando passam algum tempo com amigos, isto tende a ocorrer em alguma atividade formalmente organizada (por ex., um evento esportivo).

Passatempos ou atividades recreativas são abordados como tarefas sérias, que exigem meticulosa organização e trabalho árduo. A ênfase está em um desempenho perfeito. Estes indivíduos transformam brincadeiras em uma tarefa estruturada (por ex., corrigir um bebê por não encaixar argolas em um pino na ordem correta; ensinar uma criança pequena a andar em linha reta em seu triciclo; transformar um jogo de futebol em uma penosa "aula").

Os indivíduos com Transtorno da Personalidade Obsessivo-Compulsiva podem ser excessivamente conscienciosos, escrupulosos e inflexíveis acerca de questões relativas à moralidade, ética ou valores (Critério 4). Eles podem forçar a si mesmos e a outros a seguirem princípios morais rígidos e padrões muito estritos de desempenho. Essas pessoas também podem ser implacáveis na autocrítica dos próprios erros.

Os indivíduos com este transtorno têm um respeito rígido para com autoridades e regras e insistem em uma obediência ao pé da letra, sem qualquer flexibilidade de regras sob circunstâncias atenuantes. Um indivíduo, por exemplo, pode não emprestar uma ficha para um amigo que necessita utilizar o telefone público, porque "deve-se aprender a andar com as próprias pernas" ou porque isto seria "mau" para o caráter dessa pessoa. Essas qualidades não devem ser explicadas pela identificação cultural ou religiosa do indivíduo.

Os indivíduos com este transtorno podem ser incapazes de jogar fora objetos usados ou inúteis, mesmo quando não possuem valor sentimental (Critério 5), freqüentemente admitindo ser "guardadores de entulho". Eles consideram um desperdício desfazer-se de coisas porque "nunca se sabe quando algo pode ser útil" e ficam aborrecidos se alguém tenta se livrar das coisas que guardaram. Seus companheiros ou colegas podem queixar-se da quantidade de espaço tomado por velharias, revistas, aparelhos quebrados e assim por diante. Os indivíduos com Transtorno da Personalidade Obsessivo-Compulsiva são avessos a delegar tarefas ou a trabalhar com outras pessoas (Critério 6). Eles insistem, de maneira teimosa e irracional, que tudo seja feito à sua maneira e que as pessoas se amoldem a seu jeito de fazer as coisas.

Estas pessoas freqüentemente dão instruções muito detalhadas acerca de como tudo deve ser feito (por ex., existe um, e somente um, modo de aparar o gramado, lavar os pratos, construir uma casinha de cachorro) e ficam surpresas e irritadas se outros sugerem alternativas criativas. Em outros momentos, podem rejeitar ofertas de auxílio, mesmo quando estão com prazos vencidos, por acreditarem que ninguém mais poderá fazer as coisas corretamente.

Os indivíduos com este transtorno podem ser miseráveis e mesquinhos e manter um padrão de vida bem abaixo daquele que seria possível, acreditando que os gastos devem ser rigidamente controlados, a fim de se precaverem de futuras catástrofes (Critério 7). Os indivíduos com Transtorno da Personalidade Obsessivo-Compulsiva caracterizam-se por rigidez e teimosia (Critério 8). Eles preocupam-se tanto acerca de que as coisas sejam feitas do modo "correto", que têm dificuldade em concordar com as idéias de qualquer outra pessoa. Esses indivíduos fazem planos minuciosamente detalhados e são avessos a mudanças.

Totalmente envoltos em sua própria perspectiva, eles têm dificuldade em ceder aos pontos-de-vista de outros. Amigos e colegas podem frustrar-se com sua constante rigidez. Ainda que os indivíduos com Transtorno da Personalidade Obsessivo-Compulsiva reconheçam que seria melhor para eles próprios se aceitassem opiniões, eles podem recusar-se teimosamente a fazê-lo, argumentando que se trata do "espírito da coisa".

Características e Transtornos Associados: Quando as regras e procedimentos estabelecidos não ditam a resposta correta, a tomada de decisões pode tornar-se um processo demorado e freqüentemente árduo. Os indivíduos com Transtorno da Personalidade Obsessivo-Compulsiva podem ter tamanha dificuldade em decidir que tarefas assumem prioridade ou qual é o melhor meio de realizar determinada tarefa, que podem jamais sequer iniciar qualquer coisa.

Eles tendem a ficar desconcertados ou irados em situações nas quais não conseguem manter o controle de seu ambiente físico ou interpessoal, embora a raiva tipicamente não seja expressada de maneira direta. Uma pessoa, por exemplo, pode ficar zangada com o mau atendimento em um restaurante, mas ao invés de se queixar à gerência, rumina acerca da quantia a ser dada como gorjeta. Em outras ocasiões, a raiva pode ser expressada por indignação acerca de algo aparentemente sem importância.

As pessoas com este transtorno podem dar especial atenção à sua posição nos relacionamentos de domínio-submissão, podendo demonstrar excessiva deferência a uma autoridade que respeitam e excessiva resistência à autoridade que não respeitam.

Os indivíduos com este transtorno em geral expressam afeição de uma forma altamente controlada ou contida e podem sentir grande desconforto na presença de outros com maior expressão emocional. Seus relacionamentos cotidianos têm uma qualidade formal e séria, podendo mostrar-se rígidos em situações nas quais outras pessoas sorririam e se mostrariam alegres (por ex., ao receber uma pessoa querida no aeroporto). Eles têm o cuidado de se conterem até estarem certos de que o que disserem estará perfeito.

Estas pessoas podem preocupar-se com a lógica e o intelecto, e mostrar-se intolerantes para com o comportamento afetivo dos outros. Muitas vezes têm dificuldade em expressar sentimentos de ternura, raramente fazendo elogios. Os indivíduos com este transtorno podem experimentar sofrimento e dificuldades no trabalho, particularmente quando se defrontam com novas situações que exigem flexibilidade e colaboração.

Embora alguns estudos sugiram uma associação com o Transtorno Obsessivo-Compulsivo, parece que a maioria dos indivíduos com Transtorno Obsessivo-Compulsivo não possui um padrão de comportamento que satisfaça os critérios para o Transtorno da Personalidade Obsessivo-Compulsiva. Muitas características do Transtorno da Personalidade Obsessivo-Compulsiva sobrepõem-se às características de personalidade do "tipo A" (por ex., hostilidade, competitividade e urgência de tempo), e estas características podem estar presentes em pessoas em risco para infarto do miocárdio. Pode haver uma associação entre Transtorno da Personalidade Obsessivo-Compulsiva e Transtornos do Humor e de Ansiedade.

Características Específicas à Cultura e ao Gênero: Ao avaliar um indivíduo para a presença de um Transtorno da Personalidade Obsessivo-Compulsiva, o clínico não deve incluir os comportamentos que refletem hábitos, costumes ou estilos interpessoais culturalmente sancionados pelo grupo de referência do indivíduo. Certas culturas colocam uma ênfase substancial no trabalho e na produtividade; os comportamentos resultantes em membros destas sociedades não precisam ser considerados indícios de Transtorno da Personalidade Obsessivo-Compulsiva. Em estudos sistemáticos, o transtorno parece ser diagnosticado duas vezes mais entre os homens.

Prevalência: Estudos que utilizaram uma avaliação sistemática sugerem estimativas de que a prevalência do Transtorno da Personalidade Obsessivo-Compulsiva seja de cerca de 1% em amostras comunitárias e de cerca de 3-10% entre os indivíduos que procuram clínicas de saúde mental.

Diagnóstico Diferencial: Apesar das semelhança de nomes, o Transtorno Obsessivo-Compulsivo em geral é facilmente distinguido do Transtorno da Personalidade Obsessivo-Compulsiva pela presença de verdadeiras obsessões e compulsões. Um diagnóstico de Transtorno Obsessivo-Compulsivo deve ser considerado especialmente quando o hábito de armazenar é extremo (por ex., pilhas de objetos inúteis que representam perigo de incêndio e dificultam a passagem).

Quando são satisfeitos os critérios para ambos os transtornos, os dois diagnósticos devem ser registrados. Outros Transtornos da Personalidade podem ser confundidos com o Transtorno da Personalidade Obsessivo-Compulsiva por terem certos aspectos em comum, de modo que é importante fazer a distinção entre esses transtornos com base nas diferenças em seus aspectos característicos.

Entretanto, se um indivíduo tem características de personalidade que satisfazem os critérios para um ou mais Transtornos da Personalidade além do Transtorno da Personalidade Obsessivo-Compulsiva, todos podem ser diagnosticados. Os indivíduos com Transtorno da Personalidade Narcisista também podem professar um compromisso com o perfeccionismo e crer que os outros não conseguem realizar as tarefas tão bem quanto eles, porém tendem mais a acreditar que já atingiram a perfeição, ao passo que no Transtorno da Personalidade Obsessivo-Compulsiva em geral existe autocrítica.

Os indivíduos com Transtorno da Personalidade Anti-Social ou Narcisista não têm generosidade, mas são auto-indulgentes, ao passo que aqueles com Transtorno da Personalidade Obsessivo-Compulsiva adotam um estilo miserável em relação aos gastos consigo mesmos e com outros. Tanto o Transtorno da Personalidade Esquizóide quanto o Transtorno da Personalidade Obsessivo-Compulsiva podem caracterizar-se por formalidade e distanciamento social; no Transtorno da Personalidade Obsessivo-Compulsiva, isto deriva de um desconforto com as emoções e de uma excessiva dedicação ao trabalho, ao passo que no Transtorno da Personalidade Esquizóide existe uma falta básica da capacidade para a intimidade.

O Transtorno da Personalidade Obsessivo-Compulsiva deve ser distinguido de uma Alteração da Personalidade Devido a uma Condição Médica Geral, na qual os traços emergem devido aos efeitos diretos de uma condição médica geral sobre o sistema nervoso central. Ele também deve ser distinguido de sintomas que podem desenvolver-se em associação com o uso crônico de substâncias (por ex., Transtorno Relacionado à Cocaína Sem Outra Especificação).

Traços moderados de personalidade obsessivo-compulsiva podem ser especialmente adaptativos, particularmente em situações que gratificam um alto desempenho. Apenas quando são inflexíveis, mal-adaptativos, persistentes e causam prejuízo funcional significativo ou sofrimento subjetivo, esses traços constituem um Transtorno da Personalidade Obsessivo-Compulsiva.

Critérios Diagnósticos para F60.5 - 301.4 Transtorno da Personalidade Obsessivo-Compulsiva: Um padrão invasivo de preocupação com organização, perfeccionismo e controle mental e interpessoal, às custas da flexibilidade, abertura e eficiência, que começa no início da idade adulta e está presente em uma variedade de contextos, indicado por pelo menos quatro dos seguintes critérios:

(1) preocupação tão extensa, com detalhes, regras, listas, ordem, organização ou horários, que o ponto principal da atividade é perdido.
(2) perfeccionismo que interfere na conclusão de tarefas (por ex., é incapaz de completar um projeto porque não consegue atingir seus próprios padrões demasiadamente rígidos).
(3) devotamento excessivo ao trabalho e à produtividade, em detrimento de atividades de lazer e amizades (não explicado por uma óbvia necessidade econômica).
(4) excessiva conscienciosidade, escrúpulos e inflexibilidade em assuntos de moralidade, ética ou valores (não explicados por identificação cultural ou religiosa).
(5)
incapacidade de desfazer-se de objetos usados ou inúteis, mesmo quando não têm valor sentimental.
(6) relutância em delegar tarefas ou ao trabalho em conjunto com outras pessoas, a menos que estas se submetam a seu modo exato de fazer as coisas.
(7)
adoção de um estilo miserável quanto a gastos pessoais e com outras pessoas; o dinheiro é visto como algo que deve ser reservado para catástrofes futuras .
(8)
rigidez e teimosia.

Fonte: DSM-IV


MEDITAÇÃO – UMA VISÃO CIENTÍFICA

INTRODUÇÃO medicina alternativaexpandindo horizontes

Fonte: The National Institutes of Health. Alternative Medicine: Expanding Medical Horizons. A Report to the National Institutes of Health on Alternative Medical Systems and Practices in the United States. NIH

Os sistemas mais tradicionais da medicina apreciam e utilizam a conexão extraordinária da mente e do corpo e o poder que um tem sobre o outro. Em contraste, a medicina Ocidental moderna considera estas conexões como sendo de importância secundária.

A separação entre mente e corpo foi estabelecida durante o século XVII. A princípio, a medicina tinha a liberdade para explorar e experimentar o corpo, enquanto que a mente era preservada para o domínio da igreja. Nos ulteriores três séculos, a medicina que girava em torno do corpo e seus processos, fez descobertas extraordinárias sobre a natureza e o tratamento das doenças

Porém, este pensamento restrito tende a desconsiderar a importância das interações entre corpo e mente e obscurecer a possível importância da mente na produção e alívio das doenças. O foco das pesquisas médicas tem sido a biologia do corpo e do cérebro, os quais são partes do corpo. Preocupações sobre a mente têm sido deixadas por conta de psiquiatras, outros profissionais da saúde mental, filósofos e teólogos. A medicina psicossomática, a disciplina que descobriu as conexões mentecorpo, é uma sub-especialidade dentro da psiquiatria.

Durante os últimos 30 anos, surgiu um movimento científico poderoso para explorar a capacidade da mente em afetar o corpo e para redescobrir os caminhos pelos quais ela envolve e afeta todas as funções do corpo. Este movimento recebeu seus impulso de várias fontes. Tem sido sobrecarregado pelo aumento na incidência de doenças crônicas – incluindo doenças de coração, câncer, depressão, artrite, asma – as quais parecem estarem ligadas ao meio ambiente e ao estresse emocional. A prevalência, a destrutividade e o custo dessas doenças têm levado a uma grande busca de terapias que possam ajudar os indivíduos a reconhecerem as fontes de seu estresse e reduzi-lo, acalmando a mente e se beneficiando deste recurso além de mobilizar e provocar a cura do  próprio corpo

Durante a mesma época, os pesquisadores médicos descobriram outros recursos culturais de cura, como a meditação, a yoga, e o tai chi, os quais se baseiam em uma compreensão do poder da mente e do corpo e como um afeta o outro; técnicas desenvolvidas como o biofeedback e vizualização, as quais são capazes de facilitar a capacidade da mente de afetar o corpo;  e examinaram algumas ligações específicas entre os processos mentais e o funcionamento do sistema nervoso, autônomo e imunológico – a maioria está ilustrada dramaticamente pelo crescimento de uma nova disciplina, psico-neuro-imunologia.

O movimento que explora, reconhece e faz uso das interações mente-corpo tem sido chamado de medicina mente-corpo.  Este artigo relata  evidências que apóiam a interligação mente-corpo, descreve algumas técnicas e resume os resultados de algumas intervenções bem sucedidas. 

Esta metodologia não está apenas produzindo resultados dramáticos em áreas específicas, está também formando a base de uma nova perspectiva na medicina e na cura. Partindo desta perspectiva está se tornando cada vez mais claro que toda inteiração entre médicos e pacientes entre aqueles que oferecem e recebem ajuda – pode afetar a mente e até mesmo o corpo do paciente

A meditação é uma prática autodirecionada para relaxar o corpo e acalmar a mente. Na meditação, o indivíduo faz um esforço para se concentrar em um único pensamento paz, por exemplo, ou uma experiência física, como a respiração ou um som (repetindo uma palavra ou uma música, como o “hum” ou uma palavra Sanskrit como a “kirim”). O objetivo é parar a correria da mente sua tendência a repensar milhares de problemas e detalhes do dia-a-dia

A maioria das técnicas de meditação vieram das práticas religiosas do Oeste para o Leste particularmente da Índia, China, Japão, mas pode ser encontrada na culturas do mundo inteiro. Uma crença do cristianismo rezar um terço ou uma Ave Maria - tem efeitos similares ao da meditação. Enquanto a maioria das pessoas que meditam nos EUA praticam uma meditação sedentária,  existem também muitos movimentos de meditação, como as artes marciais chinesas tai chi, as artes marciais japonesas aikido e a meditação de andar no budismo zen A yoga também é considerada uma forma de meditação.

Até recentemente, a finalidade primária da meditação era religiosa, mesmo que seus benefícios na saúde tenham sido há muito reconhecidos.  Durante os últimos 15 anos, tem sido explorada como um meio de reduzir o estresse na mente e no corpo.  Os cardiologistas, em particular, geralmente recomendam-na como um meio de reduzir a pressão arterial. 

Existem várias formas de meditação com nomes diferentes, variando sua complexidade entre a prática rigorosa até práticas eventuais com técnicas simples, mas todas parecem produzir mudanças físicas e psicológicas (Benson, 1975; Chopra, 1991; Goleman, 1977; Mahesh Yogi, 1963). 

Se praticada regularmente, a meditação desenvolve micro comportamentos habituais e inconscientes que produzem efeitos positivos em todo organismo físico e psicológico.  Meditando por 15 minutos duas vezes por dia, parece produzir resultados benéficos.

Enquanto muitas pessoas e grupos têm examinado os efeitos da meditação, dois grandes programas de meditação têm sido extensamente estudados e pesquisados: meditação transcendental e Resposta ao  relaxamento. 

A meditação transcendental (MT)

A meditação transcendental (MT) foi criada pelo líder Maharishi Mahesh Yogi, o qual eliminou da yoga certos elementos que considerava não essenciais.  No ano de 1960, ele saiu da Índia e foi para os EUA, levando consigo sua yoga reformada, a qual sentia que poderia ser alcançada e praticada mais facilmente por pessoas de nossa cultura Seu novo método não exigia os exercícios físicos e mentais difíceis requeridos pela yoga e podia ser facilmente ensinado em uma sessão de treinamento. MT logo foi aceita por algumas celebridades dos anos 60, como os Beatles, e pode chegar hoje a 2 milhões de praticantes.

A MT é simples. Para prevenir pensamentos que distraem a mente, um mantra (uma palavra ou som) é dado ao estudante para repetir silenciosamente várias vezes enquanto está sentado em uma posição confortável.  Os estudantes são instruídos para serem passivos e se outros pensamentos que não seja o mantra vierem em sua mente, perceba-os e retorne ao mantra.  É pedido ao estudante que  pratique 20 minutos durante a manhã e a noite também.  

Em 1968, um cardiologista da Harvard Herbert Benson, foi convidado por praticantes da MT para testá-los em suas habilidades para baixar a pressão arterial.  Inicialmente, Benson recusou este pedido para ele totamente fora da realidade, mas depois foi persuadido a fazê-lo. Os estudos de Benson e uma investigação independente na Universidade da Califórnia em Los Angeles foi acompanhada por vários pesquisadores adicionais na MT da Universidade Internacional Maharishi em Fairfield (Ioha) e por outros centros pesquisadores. Benson publicou o resultado dos estudos no qual o uso da MT foi discretamente associado com:

  •  uso reduzido de assistência de saúde;

  •  aumenta a longetividade e qualidade de vida;

  •  redução de dores crônicas (Kabat-Zinn, 1986);

  •  redução da ansiedade;

  •  redução da pressão arterial alta (Cooper and Aygen, 1978);

  •  redução do nível serum do colesterol (Cooper and Aygen, 1978);

  •  redução do abuso de substâncias (Sharma et al., 1991);

  •  aumento nas medidas longitudinais relacionadas à inteligência  (Cranson et al., 1991);

  •  tratamento da síndrome pós-traumática no Vietnã (Brooks and Scarano, 1985);

  •  redução da pressão arterial nas pessoas Africanas-Americanas (Schneider et al., 1992),

  •  os níveis de cortisol no sangue, inicialmente causados por estresse, baixaram (MacLean et al., 1992).

Resposta relaxante

Convencido de que com a meditação era possível tratar pressão alta, Benson mais tarde levou sua pesquisa para o Instituto de Medicina Mente-Corpo na Escola Médica de Harvard. Ele identificou o que chama de “a Resposta Relaxante”, uma constelação de efeitos psicológicos e fisiológicos que aparecem geralmente em várias práticas meditar, rezar, relaxamento progressivo, treino autogênico e a fase de pré-sugestões da hipnose e yoga (Benson, 1975). Ele publicou seu método em um livro com o mesmo nomeThe Relaxation Response. 

Por mais de 25 anos, Benson e seus colegas têm desenvolvido extensas  pesquisas Durante este tempo, meditação em geral e a Resposta Relaxante especificamente têm-se movido vagarosamente da classificação de medicina alternativa para a de medicina normal, mesmo que ainda sejam ignorados por muitos médicos convencionais


COMO IDENTIFICAR E TRATAR A DEPRESSÃO
A depressão é um transtorno que afeta o humor, o comportamento, as emoções e a saúde física. Muitos acreditavam que o problema "está na cabeça" e que se o doente realmente tentar, pode "sair desta". Os médicos, agora, reconhecem que a depressão não é uma fraqueza e que não é possível o doente tratá-la sozinha. Trata-se de uma doença causada por alterações bioquímicas no organismo.

Em alguns casos, a depressão pode ser desencadeada por um evento estressante. Outras vezes, parece ocorrer espontaneamente, sem motivo aparente. Qualquer que seja a causa, envolve muito mais do que humor deprimido ou tristeza.

Pode ocorrer apenas uma vez na vida, entretanto, ocorre geralmente na forma de episódios repetidos, com intervalos de remissão completa. Pode, ainda, ser uma condição crônica, necessitando de tratamento contínuo durante toda a vida.

SINTOMAS DA DEPRESSÃO

As duas alterações principais – sintomas fundamentais para o diagnóstico – são:

Perda do interesse em atividades diárias habituais
Você perde o prazer ou o interesse por atividades que realizava normalmente. Isto é chamado de "anedonia".

Humor deprimido
Você se sente triste, sem esperança, impotente e pode ter crises de choro. Para um médico ou outro profissional de saúde diagnosticar a depressão, a maioria dos sinais e sintomas abaixo deve estar presente na maior parte do dia, quase todos os dias, or um período mínimo de duas semanas.

Distúrbios do sono
Dormir muito ou pouco pode ser um sinal de depressão. Acordar no meio da noite ou muito cedo e não ser capaz de retomar o sono são sintomas típicos.

Dificuldade de concentração ou de raciocínio
Você pode ter dificuldade para se concentrar ou tomar decisões e apresentar distúrbios de memória.

Ganho ou perda significativa de peso
Aumento ou redução do apetite e perda ou ganho de mais de 5% do peso normal, sem motivo, aparente pode indicar depressão.

Agitação ou lentidão dos movimentos do corpo
Você pode parecer cansado, agitado e ficar irritado com facilidade. Ou pode parecer fazer tudo em câmera lenta e responder vagarosamente, com tom de voz monótono.

Fadiga
Você sente cansaço e falta de energia quase todos os dias. Também pode se sentir tão cansado pela manhã quanto ao ir dormir na noite anterior.

Baixa auto-estima
Você se sente sem valor e com sentimento de culpa excessivo.

Menor interesse por sexo
Em caso de pacientes sexualmente ativos, pode-se notar uma dramática diminuição no nível de interesse por relações sexuais.

Pensamento de morte
Você tem uma visão negativa contínua de si mesmo, da sua situação atual e do seu futuro. Além disso, pode pensar em morte ou suicídio.

PRINCIPAIS TIPOS DE DEPRESSÃO


Depressão maior: este tipo de distúrbio de humor dura mais do que duas semanas. Os sintomas incluem sentimentos de intensa tristeza e sofrimento, perda de prazer ou interesse por atividades das quais geralmente se gosta e sentimentos de baixo-estima ou culpa. Este tipo de depressão pode resultar em distúrbios do sono, fadiga grave, dificuldade de concentração, alterações de apetite e até suicídio.

Distimia: a distimia é menos grave, entretanto, é uma forma de depressão mais prolongada. Dura, no mínimo, dois anos e, geralmente, mais do que cinco. Os sintomas não costumam ser incapacitantes e os períodos de distimia podem se alternar com pequenos períodos de normalidade. Pacientes com distimia apresentam maior risco de desenvolverem depressão maior.

Transtornos de adaptação: se algum ente querido morre, você perde o emprego ou recebe um diagnóstico de câncer, é perfeitamente normal sentir ansiedade, tristeza ou irritação. A maioria das pessoas consegue superar as conseqüências destes eventos, mas algumas não. Isso é conhecido como "transtorno de adaptação", ou seja, quando a resposta frente a um evento ou situação estressante é responsável por sinais e sintomas de depressão.

Transtorno bipolar: os episódios recorrentes de depressão e elação (mania) são característicos do "transtorno afetivo bipolar". Por envolver emoções em dois extremos, é chamado de bipolar (ou maníaco-depressivo). A mania compromete a capacidade de julgamento do doente, levando-o a tomar decisões imprudentes. Algumas pessoas têm ataques de aumento de produtividade e criatividade durante a fase de mania.

Muitas pessoas com depressão também apresentam sintomas de ansiedade. A ansiedade que se desenvolve após os 40 anos de idade é geralmente ligada à depressão, e não um problema independente.

CAUSAS DA DEPRESSÃO

Não há apenas uma causa para a depressão. A doença, muitas vezes, é familiar. Muitos especialistas acreditam que uma vulnerabilidade genética associada a fatores ambientais, como estresse e outras doenças, pode desencadear um desequilíbrio de neurotransmissores no cérebro, resultando em depressão. Três neurotransmissores - serotonina, noradrenalina e dopamina – parecem estar relacionados à doença.

Entre os fatores que contribuem para a depressão, destacam-se:

- hereditariedade: pesquisadores identificaram vários genes que podem estar envolvidos no transtorno bipolar, e continuam pesquisando outros genes ligados a outros tipos de depressão. Entretanto, nem todos os pacientes que apresentam histórico familiar de depressão desenvolvem a doença.

- estresse: eventos estressantes, particularmente a perda ou a ameaça da perda de emprego ou de um ente querido, podem desencadear depressão.

- medicações: o uso prolongado de certos medicamentos, como drogas usadas no controle de hipertensão, pílulas para dormir ou anticoncepcionais, em alguns casos, podem causar sintomas de depressão.

- doenças: doenças crônicas como diabetes, acidente vascular cerebral, câncer, doenças cardíacas ou doença de Alzheimer aumentam o risco de depressão. Estudos revelam uma possível relação entre a depressão e as doenças cardíacas. A depressão pode ser encontrada em até metade dos pacientes com infarto do miocárdio. Quando não tratada, pode levar à morte, principalmente nos anos iniciais após um ataque cardíaco. Pacientes com função tireoideana diminuída (hipotireoidismo) também têm maior risco de depressão.

- personalidade: alguns traços de personalidade como baixa auto-estima, dependência extrema, autocrítica elevada, pessimismo e maior vulnerabilidade ao estresse podem tornar uma pessoa mais vulnerável à depressão.

- depressão pós-parto: é comum gestantes apresentarem uma forma leve de transtorno de humor poucos dias ou semanas após o parto. Durante este período, podem ser observados sentimentos de tristeza, ansiedade e irritabilidade. Uma forma mais grave da depressão pós-parto afeta até 25% das mulheres após a primeira gestação.

- álcool, nicotina e drogas: antigamente, especialistas acreditavam que pessoas com depressão consumiam álcool, nicotina e outras drogas como forma de alívio, mas estudos recentes comprovaram que o uso destas substâncias pode, na verdade, contribuir para o aparecimento da depressão e de outros transtornos ansiosos.

- dieta: deficiências de ácido fólico e vitamina B12 podem causar depressão. Baixos níveis destas substâncias estão ligadas a uma pior resposta aos medicamentos antidepressivos.

QUANDO PROCURAR AJUDA MÉDICA

Se você se sente triste, cansado ou com sentimento de menos-valia, se seus hábitos alimentares e de sono mudaram ou se você mostra pouco interesse em atividades que antes eram agradáveis, procure um médico de sua confiança para descobrir se você sofre de depressão.

Se você conhece alguma pessoa com estes sintomas, incentive-a a procurar ajuda profissional.

TRATAMENTO DA DEPRESSÃO

Para o diagnóstico correto, o médico deve realizar alguns exames, também para descartar condições que podem causar sintomas semelhantes aos encontrados em pacientes com depressão. Com base nos sintomas da doença, é possível estabelecer o diagnóstico correto.

Uma vez iniciado o tratamento de depressão, o paciente deve fazer também um controle diário dos seus hábitos. Algumas recomendações:

- consulte o seu médico regularmente, pois ele pode acompanhar o seu progresso, fornecer apoio e, se necessário, ajustar a medicação

- tome a medicação corretamente, e achar a mais adequada para o seu caso pode exigir várias tentativas e levar algumas semanas para que os resultados comecem a aparecer; uma vez que se sentir melhor, você deve continuar a medicação, conforme prescrição médica

- não se isole, tente participar das suas atividades rotineiras normalmente e procure seus amigos para manter sua vida social

- tome conta de você adotando uma dieta alimentar saudável, fazendo exercícios e dormindo bem; lembre-se de que a atividade física pode auxiliar no tratamento de algumas formas de depressão, aliviando o estresse e ajudando no relaxamento

- evite o consumo de álcool e de drogas, pois o excesso destas substâncias dificulta a sua recuperação.

 


Tornando problemas do dia-a-dia em doenças

Os avanços médicos recentes e a grande quantidade de drogas novas usadas para o tratamento das variadas doenças ameaçam “medicamentar” cada comportamento e condição humana, de acordo com alguns especialistas. 

E ainda afirmam que o avanço da genética poderia eventualmente significar que as pessoas aparentemente sadias serão taxadas como “doentes” décadas antes de um diagnóstico confiável.

Pesquisadores internacionais avaliam os prós e contras dos testes genéticos para diagnosticar doenças, informações sobre medicamentos através de propagandas e, o que alguns pensam, a tendência de transformar problemas cotidianos em condições médicas que necessitam de tratamento – por exemplo, de calvície a problemas sexuais. 

Em uma pesquisa realizada por uma revista sobre o que as pessoas achavam que eram as “não doenças”: que mais causavam preocupação para elas, foram citadas: calvície, sardas, celulite, tamanho do pênis e a raiva no trânsito. O mais votado foi o envelhecimento.

Um jornalista australiano descreve o que enxerga como sendo alianças informais entre as companhias de medicamentos, médicos e consumidores.  Eles argumentam que as companhias de medicamentos pedem a especialistas e grupos de pacientes para que apareçam como vítimas de alguma doença ou para confirmar uma condição severa e atrair a atenção da pessoa que acaba indo buscar tratamento. 

Os autores também relatam vários exemplos: como a perda de cabelos e timidez excessiva – que podem ser consideradas como condições humanas naturais, mas estão se tornando condições médicas, porque agora existe uma nova pílula para tratá-las. 

Em um artigo canadense de Mintzes, argumenta-se que a propaganda da droga prescrita aos consumidores – permitido atualmente apenas nos USA e Nova Zelândia – está ajudando a medicamentar “experiências humanas normais.”

Pessoas relativamente saudáveis são os alvos, pois existe a necessidade de retorno adequado para as campanhas comerciais que são muito caras. 

A maior parte do dinheiro das propagandas é investido em medicamentos novos e caros, visando o uso em longo prazo para um grande número de pessoas, como, por exemplo, medicamento para colesterol, impotência e ansiedade. 

E enquanto os estudos provam que estes medicamentos funcionam, as propagandas atingem uma parte da população maior do que a necessária, conforme mostram as evidências.

Foram citados os medicamentos para baixar o colesterol; por exemplo, diz-se que a evidência de que eles reduzem o risco de mortalidade cardiovascular é “muito melhor” para pacientes com a doença. Porém, as propagandas atingem uma população muito maior.

Em oposição a tais opiniões, uma companhia de medicamentos argumenta  que a propaganda ao consumidor contribui para ele que possa tomar decisões sobre sua saúde e tratamento. 

As evidências mostram que existe uma falta de diagnóstico para muitas doenças que trazem risco de vida e que existe tratamento. Porém, Mintzes argumenta que as propagandas e especialistas na saúde pública geralmente possuem diferentes visões sobre como as enfermidades devem ser tratadas.  

Outros falam que, como a medicina tem livre acesso à propaganda, tem também se envolvido profundamente na vida sexual das pessoas. Quando surgiu o Viagra, o medicamento para disfunção de ereção e impotência, ele se tornou o medicamento mais popular de todos os tempos. 

Enquanto muitos homens com problemas de ereção agradecem à pílula azul, eles dizem que os avanços da medicina ignoram as dinâmicas dos relacionamentos e outros fatores que se enquadram no comportamento sexual.

Os especialistas da saúde pública de UK relatam que as cirurgias ginecológicas que visam aumentar o prazer sexual estão aumentando. Nos EUA, cerca de um terço dos homens e mulheres, alegam ter uma disfunção sexual, o que significa um sinal de uma nova obsessão com a gratificação sexual e o sentimento de inadequação. 

Hart, da Universidade de Glasgow, disse que sua preocupação é no uso do termo disfunção sexual, que está sendo usado para cobrir uma grande variedade de comportamentos ou sentimentos que podem ser naturais para algumas pessoas – como, por exemplo, a libido ter diminuído em uma relação mais duradoura. 

“Se as pessoas estão em relacionamentos amorosos felizes, no qual o sexo com o passar do tempo tem uma ocupação menos importante, isto não deveria ser visto como problemático ou disfuncional”.

Olhando um pouco para o futuro, especialistas dizem que os testes genéticos “podem criar uma nova onda” de medicamentos.  Com a exceção de um número pequeno de condições médicas não se pode prever se uma pessoa irá desenvolver uma doença. 

Para doenças com múltiplos fatores desencadeantes, incluindo as cardiovasculares e o câncer, a pesquisa para o gene relacionado à doença pode apenas dar informações sobre os riscos nas estatísticas. 

“Os testes genéticos para doenças que talvez não apresentem sintomas, durante meio século ou mais podem servir de exemplo para um processo de medicalização prematura – de colar a etiqueta da doença antes de ter sido estabelecido que a prevenção ou tratamento é um benefício”.

As tecnologias genéticas escrevem os autores, podem ser “um grande benefício para a sociedade, mas sua introdução deve ser analisada… e mais importante, baseada em evidências”.


DUPLA DESASSISTÊNCIA
por Luiz Barros

Originalmente
publicado no Jornal da Tarde (SP);
reprodução
autorizada pelo autor.

Considerada a Constituição Federal, verifica-se que ocorre um fenômeno de dupla desassistência aos direitos da população no que se refere à saúde.

De um lado, ocorre generalizada desassistência à saúde, principalmente atingindo as classes mais baixas e igualmente afetando a classe média.

Tanto quanto a assistência à saúde, a assistência judiciária gratuita é um direito constitucional. Pelo fato de que ocorre igualmente a desassistência judiciária para garantir o direito à saúde, estamos diante de uma situação de dupla desassistência.

Abordarei hoje aspectos condicionantes da desassistência primária: a desassistência à saúde em si, no que se refere à saúde mental. Em próximo artigo, pretendo analisar a desassistência judiciária (secundária).

Diferentes áreas da medicina apresentam diferentes níveis de assistência ou desassistência à população. Na área de saúde mental, ou psiquiatria, apresenta-se com nitidez a precariedade da assistência - ou a absoluta desassistência - em intensidade maior do que a verificada geralmente noutras áreas. O reconhecimento da intensidade e universalidade das deficiências de assistência, nesta área, é um dos únicos pontos de consenso entre as diversas correntes da psiquiatria brasileira, que em face das demais questões demonstram posições divergentes e antagônicas no que diz respeito a orientações terapêuticas ou relacionadas a diferentes modelos assistenciais que propõem para o País.

Três razões fundamentais têm contribuído, historicamente, para o agravamento da situação de desnível assistencial que se verifica na área de saúde mental.

O processo de reformulação do modelo assistencial em saúde mental, referido usualmente como Reforma Psiquiátrica, da mesma forma como em outros países, vem se desenvolvendo permeado por disputas de poder entre facções na área política, assim como nas áreas médico-psiquiátrica e psicológica. As diversas facções são geralmente antagônicas entre si, o que leva à radicalização dos debates e à morosidade nas deliberações.

A demora de cerca de 12 anos para aprovação pelo Congresso Nacional de uma nova Lei de Saúde Mental, sancionada em 2001, e a radicalização do debate político representaram durante anos - e ainda representam - fator inibidor de novos investimentos na área. Os investimentos governamentais (e também privados) foram inibidos de um lado pelas indefinições políticas; de outro lado, o antagonismo na atuação das várias correntes resultou em perda de poder de pressão da área de saúde mental como um todo na obtenção de verbas orçamentárias mais condizentes às necessidades de atendimento de uma demanda de assistência crescente.

O fato de que as doenças mentais são consideradas incapacitantes parece também ser decisivo para que a assistência à saúde mental não goze de maior atenção orçamentária do governo federal (ainda que o discurso corrente indique que os gastos com saúde mental são excessivos, exemplificando-se com o dispêndio relativo a internações hospitalares).

análises demonstrando que a política orçamentária do Ministério da Saúde privilegia o atendimento às doenças consideradas fatais em detrimento da atenção às doenças consideradas incapacitantes.

Tal critério, aplicado às doenças mentais, é passível de contestação. De um lado, trata-se de erro considerar que as doenças mentais não possam ser fatais quando não tratadas adequadamente, bastando-se constatar as taxas de suicídio entre pessoas portadoras dos mais diversos diagnósticos psiquiátricos. De outro lado, a incapacitação derivada da doença mental pode ser superada em altos graus, por enorme contingente de pessoas, a depender exatamente do acesso às terapêuticas adequadas. Além disto, a incapacitação parcial não é responsável direta pela improdutividade, e sim o handicap social derivado da inexistência de projetos comunitários adequados.

Ocorre assim o círculo vicioso que justifica a desassistência a partir do conceito de incapacitação: sem investimentos para garantir atendimento adequado, a população afetada mantém incapacitação; a improdutividade resultante serve de justificativa para que não se realizem novos investimentos.

Finalmente, é inegável que o estigma social que cerca as doenças mentais e o preconceito de que são vítimas não apenas os portadores e seus familiares, assim como todos aqueles que os assistem diretamente, influi na desassistência à saúde mental. Os governantes e certos profissionais de saúde não estão livres de preconceitos, como quaisquer outras pessoas.

Luiz Barros é educador, escritor, administrador de empresas pela FGV,
mestre e doutor em Filosofia da Educação pela USP
 
e-mail: lfbarros@hydra.com.br


PREOCUPADO SEMPRE?

Não é a experiência de hoje que leva o homem à loucura, é o remorso sobre o que aconteceu ontem e o medo do que virá amanhã.

Culpa preocupação são talvez as formas mais comuns de stress em nossa cultura. Com a culpa, nós nos focamos em eventos passados, sentimo-nos desencorajados ou com raiva de algo que fizemos  ou falamos, e desperdiçamos o momento presente ruminando sobre o que aconteceu. Com preocupação, você usa o valioso agora obcecado com  medo do que virá. Não importa se está olhando para o passado ou futuro o resultado é o mesmo: você está jogando fora o Presente. Robert Burdette.

Não existe motivo para preocupação. Você pode gastar o resto de sua vida, começando agora, preocupando sobre o futuro e não importa a quantidade de preocupação que "gaste" as coisas não ficarão melhores. Na verdade, preocupar  torna-o menos eficiente em lidar com o presente.  (Não confunda preocupar com planejar o futuro.) Outro ponto, 90% das coisas que causam preocupação são eventos que não temos a menor condição de controlar.

Preocupação é igual pressão sanguínea, você precisa de um certo nível, mas se for demais pode te matarPreocupar é uma forma de medo, e nós humanos transformamos preocupação em algo muito mais complexo adicionando antecipação, memória, imaginação e emoção

Uma das descobertas mais fantásticas da atualidade é que nosso cérebro é adaptável e flexível. Você não pode ter um cérebro novo, mas pode redirecionar, retreinar, ressegurar, enfim você pode MUDAR

Preocupar, grande problema para pessoas com pânico, pois o excesso de preocupação pode levar a exaustão e ao pânico em si mesmo. Quando você se fixa no medo de ter outro ataque, está se predispondo a ter um. O Dr. Ned Hallowell diz o seguinte sobre preocupação: pessoas que se preocupam, ruminam, são como um cachorrinho que ganha um osso e não consegue largá-lo. Elas parecem ter um excesso de atividade numa parte do cérebro chamada cingulate cortex. Algumas características físicas dos preocupadores: o sistema autônomo funciona mais rápido, bem como a pressão sanguínea, pulso, respiração. E talvez o cérebro seja menos sensível aos controladores do stress, que são ativados pelo neurotransmissor GABA. Pessoas com níveis altos de GABA, costumam ser mais calmas e frias.

Dr. Hallow diz, que os  preocupadores vão de uma preocupação normal à criação mental de uma tragédia em poucos segundos.

Algumas dicas para lidar com PREOCUPAÇÃO:

  •  Faça uma lista de todas suas preocupações: passadas, presentes, futuras e veja se preocupar trouxe algum resultado positivo. Relacione  todos os fatos que você “previu” e nunca aconteceu.
     

  •  Entenda o ciclo de sua preocupação. É baseado em ansiedade, depressão, um trauma não superado? Qualquer que seja o diagnóstico, aprenda tudo que puder a sobre sua maneira de ruminar. desenvolva um plano. Uma das melhores maneiras é se expor à situação. Se você por exemplo tem medo de ir ao mercado, primeiro IMAGINE-SE indo , fazendo compras, pegando coisas que precisa. Depois tente ir à rua do supermercado e ficar algum tempo, depois na porta, do lado de dentro, etc.
     

  •  Se o seu medo é o de uma doença, escreva no papel todas as possibilidades de acontecer, se acontecer o que vai fazer, como a família vai reagir, se morrer como imagina que será. Avalie as alternativas e planeje como enfrentar a dificuldade que está imaginando.
     

  •  Transforme sua preocupação em ação. Geralmente, nós destruímos muitos fantasmas quando resolvemos encarar os fatos e descobrir que são sombras e nada mais.
     

  •  A maioria dos preocupadores precisa retreinar o cérebro e aprender  novas habilidades mentais.
     

  •  Arranje uma figura, boneco, desenho com uma imagem feia e coloque na sua frente toda vez que começar a brigar com seus pensamentos. A imagem vai te lembrar o que a preocupação realmente é, uma imagem distorcida, e trazê-lo de volta a realidade.
     

  •  Por mais simples que esta sugestão pareça exercício é o melhor anti-estresssante natural que existe. Reduz a tensão excesso de agressão e frustração, aumenta auto-estima, melhora o sono, diminui a tendência a comer demais, ajuda na concentração. É a cura do corpo e da mente.
     

  •  Se tudo isto não bastar lembre-se: 90% das coisas que imaginamos não acontecem como imaginamos.
     

  •  Pergunte a si mesmo: o tempo que gasto preocupando muda alguma coisa?
     

  •  Dê a si mesmo TEMPO PARA PREOCUPAR: 10 minutos pela manhã, e 10 minutos a noite. Depois usando sua capacidade de controlar